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O Day After da presepada no STF

Aluizio Falcão Filho
17 de setembro de 2026

As redes sociais e os órgãos de imprensa entraram em ebulição após a sessão do Supremo Tribunal Federal que nada decidiu sobre uma possível investigação sobre o ministro Alexandre de Moraes e seu suposto envolvimento com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Houve manifestações de apoio a Moraes (disfarçadas de críticas a André Mendonça) e muitas críticas ao magistrado, que também se dirigiram aos juízes Flávio Dino e Gilmar Mendes.

Esse movimento reflete perfeitamente a polarização política do país. Quem apoia o presidente Luiz Inácio Lula da Silva está defendendo a trinca Moraes-Dino-Gilmar; os apoiadores de Flávio Bolsonaro se solidarizam com Mendonça e atacam o trio adversário.

Só que esses dois grupos estão numericamente empatados, segundo as pesquisas eleitorais. Quem vai decidir essa parada é o eleitor moderado e independente. E de que lado está esse cidadão? Teremos alguma ideia mais concreta daqui a alguns dias, quando será divulgada uma pesquisa Quaest que vai capturar os efeitos da presepada que todos assistiram na última terça-feira.

Ocorre que esses eleitores independentes tomaram conhecimento dos vazamentos envolvendo Alexandre de Moraes e não estão exatamente sensibilizados com um eventual direcionamento das investigações contra o ministro (uma alegação levantada por Gilmar Mendes). Esse grupo do eleitorado já tinha se incomodado com o contrato de R$ 130 milhões entre Banco Master e a esposa de Moraes. A informação de que houve 52 mensagens trocadas entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes elevou esse incômodo a outro patamar, o da indignação. E esse ultraje cresceu com as manobras feitas para não investigar (pelo menos por agora) o ministro que até pouco tempo relatava o inquérito das Fake News.

A conclusão de que esse imbróglio será benéfico a Flávio Bolsonaro é inevitável. O senador fluminense irá utilizar a repulsa à atitude do STF em seu favor, aproveitando a percepção de muitos de que Moraes e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva são aliados. Por enquanto, Lula está ensaiando um afastamento em relação a Moraes, mas ainda não foi explícito. Mas seus assessores e apoiadores já começam a tirar o time de campo, afirmando que a chamada defesa da democracia empreendida por Alexandre de Moraes não pode ser encarada como um “salvo-conduto”.

Faltam pouco mais de duas semanas para o primeiro turno e provavelmente não haverá tempo hábil para que os petistas mostrem distanciamento em relação aos algozes de André Mendonça. As próximas sessões do STF serão acompanhadas de perto pela sociedade brasileira, pois entende que a Alta Corte está no epicentro dos acontecimentos políticos. A rejeição a alguns ministros pode, assim, jogar os eleitores independentes no colo da oposição e interferir no resultado do segundo turno. Gilmar e Dino jogaram todas as suas fichas para preservar Moraes e manter a unidade de seu grupo dentro do STF. Mas, com essas manobras, podem ter inflado a candidatura de Flávio e dos senadores que pregam o impeachment de ministros do Supremo. Se Flávio vier a ganhar, terá a oportunidade de indicar quatro ministros para a corte. E se a direita controlar o Senado, a hipótese de um processo de impedimento (especialmente de Davi Alcolumbre não continuar no comando da Câmara Alta) passa a ser razoável. Por isso, a trinca Moraes-Dino-Gilmar pode até ter ganho essa primeira batalha. Em compensação, a chance de ter contribuído para que a guerra seja perdida a partir de 2027 é bastante

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