PATROCINADORES

“Newtro”: a nova moda retrô é ter pôsteres nos quartos

Aluizio Falcão Filho
3 de agosto de 2025

Aprendi um novo termo nesta semana: “newtro”, um neologismo que é a junção, em inglês, das palavras “novo” e “retrô”. Ou seja, é uma forma de criar uma vibe nostálgica com linguagem visual moderna. Séries como “Stranger Things” e filmes como “Barbie” acenderam o interesse dos adolescentes pelo visual de décadas passadas e podem ter influenciado essa moda.

Minha filha de dezessete anos, por exemplo, tem alguns discos de vinil pendurados em seu quarto, além de livros impressos (sim, ela tem um kindle, mas prefere a leitura old school). Essa onda “newtro” retomou uma moda que estava em voga nos anos 1970 e 1980 – o de lotar as paredes dos quartos com pôsteres de bandas de rock ou mesmo cartazes de cinema.

Quando adolescente, quase não se via o papel de parede azul claro do meu quarto. As paredes estavam totalmente cobertas por pôsteres e recortes de jornais e revistas. Essa mania pode ser vista em dois filmes que marcaram os jovens das gerações de setenta e oitenta.

Em “Os Embalos de sábado à noite”, o personagem de John Travolta (Tony Manero) tem seu quarto decorado com imagens de Farrah Fawcett, Al Pacino, Sylvester Stallone e Bruce Lee. Já no filme “Curtindo a vida adoidado” (imagem), o quarto de Ferris Bueller (Mathew Brodderick) tem pôsteres das bandas Simple Minds, Flesh for Lulu, Blancmange e Cabaret Voltaire, além do cantor Bryan Ferry e de bandeiras da Grã-bretanha e dos Estados Unidos.

Farrah Fawcett
Susan Dey
Raquel Welch

Plataformas como Pinterest e TikTok também ajudaram a colocar essa tendência de volta à moda, pois estão cheias de painéis estéticos com pôsteres vintage, colagens e referências dos anos 80, 90 e 2000. Os jovens de hoje misturam cores, fotos de ícones da cultura pop, capas de revistas antigas e frases inspiradoras. Entre os filmes escolhidos para decorar paredes estão “O Clube dos Cinco” e “Pulp Fiction”; Na música pop, aparecem como favoritos o cantor David Bowie, a banda Nirvana ou a cantora Madonna.

Os pôsteres eram uma indústria ativa. Revistas os encartavam em suas edições, mas pôsteres eram vendidos em papelarias e lojas de discos. Alguns dos mais vendidos nada tinham a ver com música. Quatro deles tiveram destaque. O da Farrah Fawcett, que estava no quarto de John Travolta, já citado; a foto de Susan Dey, que tinha participado da série “Família Dó-Ré-Mi”; e o cartaz com uma jogadora de tênis coçando as nádegas (a imagem com a garota Fiona Butler, com dezoito anos, vendeu 2 milhões de cópias em 1978). Por fim, havia outro campeão de vendas: aquele que trazia Raquel Welch vestindo um biquini no filme “Mil séculos antes de Cristo”.

Quando não tinha o que fazer, eu ficava sentado no chã olhando para as paredes. Sempre encontrava um detalhe que não havia reparado antes ou tinha uma ideia a partir de uma imagem. Essa lembrança me acendeu um alerta interno: os jovens de hoje têm tempo sobrando para ficar parados e observar os pôsteres que estão pendurados nas paredes? Meninos e meninas, nesses tempos atuais, têm mais tarefas que um executivo, com um currículo extraescolar que deixa qualquer um estafado. De qualquer forma, esse mundo retrô fez muito bem para aqueles que viveram os anos 1970 e 1980. Para os jovens que nasceram décadas depois, porém, é uma oportunidade de se conectar com um passado analógico, surpreendente e muito divertido.

COMPARTILHE:

Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

PATROCINADORES

Leia também

Em breve