A última pesquisa Quaest mostra que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva conseguiu, pelo segundo mês consecutivo, estancar a queda que estava sofrendo em seus índices de popularidade. A sua aprovação subiu de 43% em julho para 46% em agosto. Essa é a boa notícia para o Planalto. Por outro lado, aqueles que desaprovam o governo continua em maioria: são 51%, contra 53% no mês passado. Trata-se de um avanço em relação ao mês de maio, quando a desaprovação bateu 57%, contra uma aprovação de 40% — mas os números continuam piores que os obtidos em janeiro de 2025 (49% negativos contra 47% positivos).
Há duas razões para a pequena melhora na popularidade de Lula: a queda na inflação de alimentos e a reação em relação ao tarifaço imposto ao presidente americano Donald Trump. Lula melhorou seus índices no Nordeste e entre a camada mais pobre da população. Ou seja, recuperou terreno dentro de seu próprio eleitorado e entre seguidores da esquerda.
Esse grupo estava mais insatisfeito com Lula alguns meses atrás, desapontado pelos altos preços da alimentação, pela falta de uma bandeira social que conseguisse apelo popular e pelas alianças com os partidos de centro e de direita. O tarifaço deu a Lula a chance que ele precisava para recuperar parte deste eleitorado insatisfeito.
Mas é sempre bom lembrar que, em tempos de polarização, a insatisfação no presente não significa necessariamente rejeição nas urnas. Em tese, com uma rejeição próxima de 60%, como a obtida em maio, seria de se esperar que Lula tivesse um resultado ruim nas enquetes de intenção de voto, certo?
Não foi bem isso que aconteceu. Um estudo feito pelo mesmo Instituto Quaest mostrou Lula empatado tecnicamente ou numericamente com Jair Bolsonaro, que está inelegível (41% x 41%), Tarcísio de Freitas (41% x 40%), Michelle Bolsonaro (43% x 39%) e Ratinho Jr. (40% x 38%). Ou seja, os eleitores de esquerda e de centro-esquerda estavam atingindo seu grau máximo de insatisfação, mas isso não os impelia a votar em um candidato de direita.
Por enquanto, uma parte do eleitorado de Lula foi reconquistado. Mas esse será um fenômeno passageiro ou o início de uma recuperação mais consistente? Tudo vai depender de como o conflito com os Estados Unidos pode escalar daqui para a frente e das atitudes que o presidente brasileiro tomar em um futuro próximo.
A economia, com o tarifaço, vai sofrer alguns abalos. Mas o único fator econômico que parece mexer mesmo na popularidade do presidente é a inflação de alimentos. Neste ano de 2025, quando Lula obteve os piores índices de aprovação em todas as suas passagens pelo Palácio do Planalto, alguns números da economia, como a taxa de desemprego, mostraram consistência. Isso, no entanto, não contribuiu para amenizar a impopularidade. Será que, com os sinais invertidos, haverá influência nas próximas pesquisas?
Precisamos também ficar atentos para o resultado de uma pesquisa do Datafolha divulgada há poucos dias: esse estudo revelou que 35% dos brasileiros consideram Lula o principal responsável pela crise diplomática com os Estados Unidos. Outros 22% culpam Jair Bolsonaro, enquanto 17% apontam Eduardo Bolsonaro e 15% responsabilizam Alexandre de Moraes. A percepção varia fortemente conforme a preferência política: entre eleitores de Lula, apenas 11% o culpam, enquanto 58% dos bolsonaristas o responsabilizam diretamente. Mas há 31% dos eleitores que estão no muro – e é neste nicho que pode provocar mudanças na popularidade do presidente daqui para frente.
Nos próximos meses, a opinião pública pode oscilar conforme os desdobramentos econômicos do tarifaço. Se tivermos impacto direto no emprego e na renda, a tendência é de crescimento da desaprovação, especialmente entre as camadas mais vulneráveis da população. Por outro lado, se o governo conseguir negociar uma reversão parcial das tarifas ou compensar os efeitos com incentivos internos, Lula pode recuperar apoio, reforçando a imagem de líder firme diante de pressões externas.
A narrativa que prevalecerá dependerá não apenas dos resultados econômicos, mas da capacidade do governo de comunicar suas ações com clareza e empatia — algo que o Planalto não tem consigo fazer nos últimos momentos de crise. Além disso, os estrategistas do governo precisam também entender a nova mentalidade que está crescendo entre os brasileiros: uma pegada com mais empreendedorismo e menos CLT. Isso molda um novo pensamento político e requer uma nova forma de se comunicar com os eleitores.