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Flávio tem mais influência na Casa Branca que Lula

Aluizio Falcão Filho
28 de maio de 2026

Com a decisão da Casa Branca de classificar PCC e CV como organizações terroristas, percebe-se que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem menos prestígio na Casa Branca que seu opositor, o senador Flávio Bolsonaro. Durante meses, Lula vinha tentando convencer os EUA a deixar as coisas como estavam em relação às organizações criminosas. Bastaram dois dias em Washington e Flávio conseguiu que o secretário Marco Rubio anunciasse o oposto do que desejava Lula.

O presidente brasileiro avaliava que definir PCC e Comando Vermelho como terroristas poderia ameaçar a soberania brasileira. Isso abriria espaço para que os Estados Unidos justificassem ações unilaterais em território nacional sob o argumento de combate ao terrorismo. Além disso, o Planalto acreditava que essa classificação poderia resultar em sanções financeiras automáticas, já que permitiria aos EUA congelar ativos, punir bancos brasileiros e gerar instabilidade econômica caso qualquer transação fosse associada, mesmo indiretamente, às facções.

Flávio deu seu recado a Trump e defendeu a mesma posição junto a Rubio, com quem se reuniu na quarta-feira à tarde. Hoje veio a resposta. A partir do dia 5, afirmou que as organizações criminosas serão consideradas “Terroristas Globais Especialmente Designadas” e “Organizações Terroristas Estrangeiras”. “Grande dia”, reagiu o senador em suas redes sociais.

Diante deste quadro, Lula deve elevar o tom em suas declarações relacionadas aos Estados Unidos. Até agora, o presidente vinha mesclando críticas e acenos de simpatia. A reunião recente, no início do mês, foi marcada por sorrisos e fotos que sugerem certa sintonia.

Ao acatar os pedidos de Flávio, porém, a Casa Branca escolheu um lado. Isso deve empurrar Lula ainda mais para a esquerda, e eventualmente ensaiando um alinhamento maior com a China.

A decisão mostra que Flávio tem influência dentro do governo americano. Sinal dos tempos: o candidato oposicionista tem maior trânsito junto à Casa Branca que o presidente no exercício do cargo. Nunca antes no Brasil aconteceu algo do gênero.

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