Algum tempo atrás, estive em na casa de uma amiga para comemorar o aniversário dela. Depois que o bolo foi cortado, comecei a conversar com o irmão da anfitriã. Ele queria me dizer que as urnas eletrônicas eram manipuladas. Perguntei a ele quais eram seus argumentos e fui rebatendo as colocações. Ao final do debate, sem me convencer de suas opiniões, ele arrematou em tom triunfante: “Vai me dizer que você acredita que o homem pousou na Lua?”. A conversa terminou por ali.
Durante essa semana, ao ver as fotos postadas pela tripulação da missão Artemis 2, fiquei imaginando o que o irmão da minha amiga deveria estar pensando. Provavelmente ele foi um dos milhares de internautas que postaram as hashtags #ArtemisFake e #NASAHoax.
Este descrente não está sozinho: uma pesquisa do Datafolha, de março de 2026, revelou que 33% dos brasileiros não acreditam que o homem já pisou na Lua, contra 58% que consideram verdadeiro e 9% sem opinião. Comparado a 2019 (26% de ceticismo), o índice subiu, coincidindo com o revival de teorias conspiratórias no X sobre a Artemis, que reacendem dúvidas sobre as missões Apollo apesar de evidências científicas e lives da missão que se encerrou ontem à noite.
É impressionante como um terço dos brasileiros não acredita em um fato ocorrido há 57 anos e plenamente documentado. O raciocínio destes céticos é de que o pouso lunar foi encenado em um estúdio de Hollywood e transmitido para milhões de telespectadores.
Um dos indícios de que as imagens dos astronautas Neil Armstrong e Buzz Aldrin são falsas seria o momento em que a bandeira americana é hasteada no solo cinzento do satélite da Terra. Neste registro, é possível ver uma certa tremulação da flâmula – algo que seria impossível de acontecer no vácuo do espaço.
Ocorre que existe algo chamado inércia: o movimento inicial de um dos astronautas fez o tecido ondular. Sem ar na Lua para frear a vibração, as ondas duraram mais tempo que na Terra. Além disso, a haste tinha uma barra horizontal que esticava o pano, criando vincos fixos que dão a ilusão de ondulação mesmo parada.
Boa parte das teorias da conspiração surge quando as pessoas se deparam com situações que não fazem sentido em suas cabeças. E preferem desafiar o senso comum, buscando explicações que estão no subterrâneo da lógica. Essas pessoas parecem sofrer de um certo complexo de superioridade: afinal, elas dizem saber de coisas que a maioria da humanidade desconhece.
Essas crenças ganham força porque oferecem uma sensação de revelação exclusiva, como se o indivíduo tivesse acesso a uma verdade escondida que os demais ignoram. A recusa em aceitar explicações científicas passa a funcionar como algo que torna os negacionistas pessoas diferenciadas. A missão Artemis, transmitida ao vivo do começo ao fim, com dois pequenos intervalos, deveria dissipar incertezas, mas acaba servindo de combustível para quem já está predisposto a desconfiar. A ciência avança e a tecnologia torna tudo mais transparente, mas a resistência persiste porque nasce da necessidade de pertencer a um grupo que se vê como guardião de um conhecimento alternativo. É a forma que esses indivíduos encontram para se sentirem especiais.
Uma resposta
Sejamos objetivos: esse obscurantismo é fruto de uma soma de vários fatores. Esses negacionistas são, em sua imensa maioria, ignorantes. Têm baixo nível educacional, baixíssimo nível cultural, capacidade cognitiva e intelectual limitada. Não acreditam que morreram mais de 700.000 vitimas de Covid, não acreditam em eficácia de vacina, acham sim, que as urnas são manipuladas, mas ignoram que Bolsonaro e Cia foram eleitos através das urnas. E, neste caso, ninguém falou nada! Só quando perderam. Na verdade são massa de manobra, gente facilmente manipulável, porque não têm capacidade crítica, não conseguem raciocinar e concluir por seus próprios meios.
Isso, sem falar na lavagem cerebral feita por pastores, falsos profetas, políticos mal intencionados e outros tantos oportunistas, disseminadores de fake news, mentiras outras narrativas pautadas no ódio e na divergência/discórdia. Se alimentam de polêmicas e falcatruas. Pior: se enxergam como “patriotas”, cristãos, gente de bem!! E, realmente, parece que esta doença só cresce, a cada dia. Lamentável!!