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Como destravar seus talentos? Imagine que você está em um videogame

Aluizio Falcão Filho
25 de julho de 2026

O sucesso tem vários ingredientes e a receita (ou melhor, a proporção destes elementos) varia de pessoa para pessoa. Muitos gostam de creditar o êxito ao trabalho duro. Sem dúvida, o esforço e a resiliência são pontos importantes na trajetória de quem triunfou. Mas a labuta árdua, por si só, não é sinônimo de sucesso. Sem talento e sem ambição, os mais esforçados remam, remam e não chegam a lugar nenhum.

Existe o efeito contrário: os ambiciosos que não se esforçam ou não são talentosos geralmente acabam se inserindo no grupo dos oportunistas ou trambiqueiros; já os talentosos sem ambição e empenho ganham o reconhecimento de poucos e acabam se transformando, na maioria dos casos, em gênios incompreendidos.

É por isso que alguém que conseguiu destaque ou fortuna em seu campo, na maioria esmagadora dos casos, é ambicioso, talentoso e esforçado. Evidentemente, há as exceções de praxe – espertalhões que, com um golpe de sorte, conseguiram se dar bem. Mas esses não conseguem enganar a própria plateia durante muito tempo.

Muitos de nós nascem com aptidões muito claras. Há pessoas que se mostram habilidosas em determinados campos desde crianças. Mas eles e elas vão saber usar bem esses talentos, buscando o sucesso? Não necessariamente. Ocorre, no entanto, que em determinados casos os talentos de uma pessoa, muitas vezes, estão escondidos dentro dela mesma. É como se alguém tivesse uma personalidade com algumas camadas, como se fossem etapas de um videogame. O grande talento desses indivíduos, porém, só será acionado depois que algumas fases forem vencidas.

Mesmo assim, esse talento será do tipo criativo ou repetidor? Vamos usar um exemplo do campo das artes. Há músicos espetaculares que não conseguem criar melodias impactantes ou que grudam no ouvido. Em compensação, músicos medíocres podem ser grandes compositores. É por isso que há grandes talentos tocando à noite em bares noturnos; e multimilionários que fizeram fortunas arranhando um violão com três acordes.

No mundo do empreendimento ou nas carreiras executivas, isso também acontece. Há talentos criativos que produzem sucesso e fortuna; há, por outro lado, executivos capazes de executar uma gestão conservadora que podem chegar ao topo de grandes corporações.

O segredo disso está em destravar os talentos. Mas como fazer isso?

Antes de mais nada, é preciso avaliar o seu grau de ambição. Ele é alto? E a sua capacidade de se esforçar, também? Se a resposta é sim para as duas questões, vamos à próxima fase de nosso jogo.

O segredo para destravar os talentos escondidos pode estar em se colocar em situações que obriguem a testar etapas ainda não jogadas. Ninguém descobre um talento escondido ficando confortável. Portanto, é preciso ser exposto a contextos diferentes, aceitar o risco de errar em público e, principalmente, ouvir a opinião dos outros. Pode ser um chefe (ou um ex-chefe), um sócio ou até alguém com um temperamento crítico. A autodescoberta pura é rara. É por isso que as revelações, muitas vezes, precisam vir de outra pessoa.

Mas, lembremos: o talento destravado sem ambição não vai a lugar nenhum. É preciso, portanto, unir a exposição ao risco com a disposição de jogar a fase seguinte, mesmo sem garantia de vitória. No fim, quem chega ao topo não é necessariamente quem tem mais talento escondido, mas quem teve a coragem de ligar o console deste videogame virtual e continuar jogando mesmo depois de perder algumas vidas.

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