PATROCINADORES

Caso Fontes: PCC absorveu métodos internacionais de execução

Aluizio Falcão Filho
16 de setembro de 2025

A execução do ex-delegado Ruy Ferraz Fontes, ganhou manchetes em letras garrafais dos maiores jornais do país (“Folha”, “Estado” e “Globo”) no dia de ontem. O crime, cometido em plena luz do dia no litoral paulista, escancarou uma faceta cada vez mais evidente do crime organizado brasileiro: a adoção de métodos típicos dos cartéis mexicanos e colombianos. O modus operandi do Primeiro Comando da Capital — perseguição em veículo, colisão forçada, execução com mais de 20 disparos e posterior queima do carro utilizado — aponta que os criminosos brasileiros fizeram um “copycat” das práticas violentas dos cartéis internacionais de drogas.

Fontes não era um alvo qualquer. Delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo entre 2019 e 2022, foi responsável por ações incisivas contra o PCC, incluindo a transferência de lideranças da facção para presídios federais. Sua atuação o colocou na linha de frente do enfrentamento ao crime organizado, tornando-o uma ameaça direta à estrutura e à operação do grupo. A execução, portanto, não foi apenas um acerto de contas: foi uma mensagem para demonstrar força, intimidação e domínio territorial. Na mesma linha adotada pelos cartéis latino-americanos.

Assim como ocorre em zonas dominadas por grupos como o Cartel de Sinaloa ou as dissidências das FARC, o PCC tem adotado táticas de terror público para eliminar agentes do Estado. Promotores, juízes e policiais se tornaram alvos preferenciais, e a espetacularização da violência — atentados em locais públicos, execuções com múltiplos disparos, destruição de provas — cumpre um papel estratégico: instaurar um regime de medo na sociedade e, com isso, criar tolerância por parte da elite econômica.

Mais do que semelhanças operacionais, há evidências concretas de conexões internacionais. Relatórios da ONU e investigações da Polícia Federal e do Ministério Público mostram vínculos do PCC com o Cartel de Sinaloa e com grupos colombianos. Isso se dá através de intercâmbio de recursos, estratégias e práticas de violência. Essa rede permite à facção brasileira uma sofisticação comparável às organizações criminosas mais temidas do continente.

A resposta institucional ao assassinato de Fontes veio com a criação de uma força-tarefa determinada pelo governador Tarcísio de Freitas. Mas o episódio levanta uma questão mais profunda: até que ponto o Estado está preparado para enfrentar um inimigo que já não se limita às fronteiras nacionais, que opera com inteligência, crueldade e alianças estratégicas?

A execução de Ruy Ferraz Fontes é mais do que um crime bárbaro. É um sintoma da internacionalização do crime organizado brasileiro. O PCC, ao replicar o modelo dos cartéis, consolida-se como uma organização com alcance e ambição internacional, operando num ecossistema de violência, impunidade e poder paralelo.

COMPARTILHE:

Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

PATROCINADORES

Leia também

Em breve