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Ano novo, obstáculos novos

Aluizio Falcão Filho
8 de janeiro de 2026

O senador Flávio Bolsonaro, em algum momento, vai receber ataques da esquerda à sua candidatura. Isso é esperado e antídotos às críticas já foram devidamente providenciados. O problema do senador, contudo, é lidar com desconfortos que estão surgindo dentro da direita e do centro.

Nesta semana, por exemplo, ele deu uma entrevista ao blogueiro Paulo Figueiredo, um dos articuladores do processo que desembocou no tarifaço de produtos brasileiros pelo presidente americano Donald Trump. Nesta conversa, ele disse o seguinte: “Temos um craque em casa, nessa parte de relações internacionais. É um privilégio poder contar com o próprio irmão, ou seja, a lealdade é 100%, é sangue do meu sangue”.

A declaração foi interpretada como uma indicação de Eduardo Bolsonaro seria escolhido para chefiar o Itamaraty em caso de vitória — e acabou sendo mal recebida pelo centro, que credita ao ex-deputado a paternidade do tarifaço de Trump, que foi explorado até dizer chega pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para reduzir o quadro de desaprovação que atingiu o nível máximo em maio do ano passado.

O senador não precisa fazer nenhum sinal aos bolsonaristas ou precisa agradar o próprio irmão. O bolsonarismo e sua família estarão com ele em qualquer situação. Mas, para ganhar, ele precisa do apoio do centro. Esse tipo de declaração pode ser um problema no futuro, especialmente em uma eleição que deve novamente ser decidida por uma margem mínima.

Outro desafio surge com os boatos de que o PP deverá lançar um candidato próprio ao governo de São Paulo, não apoiando a reeleição de Tarcísio de Freitas. Os pepistas estão insatisfeitos com o tratamento dado a eles pelo governo paulista e enxergam nisso o dedo de Gilberto Kassab, do PSD, até recentemente o maior coordenador político do Palácio dos Bandeirantes.

Uma eventual vitória de Flávio contra Lula no segundo turno vai depender e muito de sua votação em São Paulo. Para derrotar o adversário na soma dos votos nacionais, ele precisará de uma vitória estrondosa entre os paulistas e também em Minas Gerais. Uma divisão em São Paulo ou mesmo um desinteresse de Tarcísio em ajudá-lo pode comprometer essa estratégia.

Flávio Bolsonaro sabe que a disputa presidencial não será vencida apenas com gestos destinados ao núcleo duro do bolsonarismo. O centro observa cada movimento e reage a sinais que indiquem maturidade política, autonomia e capacidade de diálogo. As declarações recentes e as turbulências em São Paulo criam ruídos que ele não pode se dar ao luxo de ignorar. Se pretende se apresentar como alternativa viável para um eleitorado mais amplo, terá de enfrentar esses problemas de frente, ajustar o discurso e reorganizar alianças. O centro não se conquista por inércia; seu engajamento vai exigir principalmente uma férrea disposição para corrigir rotas. Se Flávio realmente quer ampliar seu alcance, este é o momento de mostrar que entende o tamanho do desafio e que está disposto a agir como alguém que busca governar um país inteiro, não apenas agradar a própria bolha.

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