Há consenso entre os economistas que, anualmente, um pouco mais que 2 milhões de jovens entram no mercado brasileiro de trabalho. Aqueles que conseguem uma colocação começam a trabalhar cheios de expectativas e esperanças. Mas muitos são colocados em funções mecânicas e chatíssimas. Todo mundo que começou a carreira como estagiário – meu caso, na Gazeta Mercantil – sabe que soldados rasos corporativos têm a obrigação de lidar com as tarefas mais monótonas de uma empresa.
Uma parte disso desaparece na primeira promoção. Mas qualquer posição executiva tem também seu lado tedioso. O problema é que as vagas desafiadoras e com funções excitantes já têm donos. Por isso, existe uma disputa de foice no escuro para obter um desses cargos.
Nesta batalha, pessoas capazes são preteridas em promoções por questões de raça, gênero ou opção sexual. Mas também existem aqueles que perdem oportunidades por conta de um gênio difícil, comportamento preconceituoso ou falta de características de liderança. Mas, em diversos casos, o que define uma rejeição profissional é a incompetência tolerada.
O resultado disso é que uma quantidade enorme de pessoas está empregada em cargos que são definidos em inglês como “dead end jobs” (“empregos sem futuro”), que oferecem poucas perspectivas e remuneração baixa. Muitos destes empregos desmotivadores serão substituídos (muitos já foram) por ferramentas de inteligência artificial. Mas outros continuarão existindo durante décadas, desmotivando milhares de trabalhadores por anos a fio.
Entre a legião de desmotivados, muitos vão focar suas energias nos momentos de folga, como já ocorre há muito tempo. Há pessoas que estão descontentes com o trabalho e acreditam que a verdadeira felicidade e a realização completa estão nos momentos de lazer.
Mesmo assim, uma condição profissional frustrante é algo que vai minando o espírito de qualquer indivíduo. Quem está preso nesta armadilha, deve criar um plano de fuga, mesmo que seja custoso. O desencanto leva a sentimentos como amargura, revolta ou rejeição. Ninguém deve viver com essas condições correndo a própria alma.
A permanência em funções que esvaziam o espírito cobra um preço alto. Antes de reivindicar uma promoção ou culpar apenas o ambiente de uma empresa, cada profissional precisa encarar uma autoavaliação honesta para entender se realmente reúne as capacidades exigidas para avançar. Isso inclui investigar quais talentos são indispensáveis para ocupar posições mais bem remuneradas, identificar habilidades que talvez estejam adormecidas e reconhecer lacunas que precisam ser preenchidas. Quando esses potenciais existem, é fundamental se empenhar para trazê‑los à tona com disciplina e consistência. Só quem encara suas próprias limitações, descobre seus talentos ocultos e trabalha para desenvolvê‑los consegue romper a barreira da estagnação e reivindicar um lugar que realmente corresponda ao que pode ser.
Este é o seu caso?