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A eleição em SP será crucial para a escolha do novo presidente

Aluizio Falcão Filho
10 de março de 2026

Muita gente se pergunta por que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, vai disputar o governo do estado de São Paulo se suas chances de vencer são mínimas. Mas o sacrifício do ministro tem uma razão aritmética de ser e tudo isso tem a ver com a disputa presidencial.

A explicação para a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva em 2022 está no fato de que o PT venceu por uma margem enorme no Nordeste e perdeu por pouco no Sudeste (em especial, em São Paulo). Portanto, o que os petistas querem é repetir a fórmula de quatro anos atrás em 2026. A ideia é colocar Haddad à cabeça da chapa estadual, recheá-la com nomes importantes, como Marina Silva e Simone Tebet, e repetir uma votação honrosa como a de 2022.

Será que isso vai acontecer novamente?

Na última corrida pelo Palácio dos Bandeirantes, Tarcísio venceu o segundo turno com 55,27% dos votos válidos, contra 44,73% de Haddad (abstenção de 21,11%, nulos com 4.08% e brancos chegando a 1,92%). Com esse resultado, o atual ministro da Fazenda teve 10,9 milhões de votos contra 13,5 milhões de seu oponente – uma diferença de 3,6 milhões de sufrágios.

Nos números divulgados recentemente pelo Datafolha, Tarcísio teria, em votos válidos, 58,4% do total (Haddad aparece com 41,6%). Se houver uma repetição de abstenções, nulos e brancos de 2022 (27,11%), a diferença seria de 4,4 milhões de votos. É um resultado excelente para o governador. Mas, em tese, não seria suficiente para reverter a margem acachapante que Lula deve ter no Nordeste.

Para que o senador Flávio Bolsonaro consiga derrotar seu oponente, vai precisar que Tarcísio e seu cabo eleitoral em Minas ampliem um pouco mais sua vantagem. E que a dianteira de Lula no Nordeste encolha um pouco.

Trata-se de uma eleição acirrada, dificílima, na qual a vitória não está garantida para nenhum dos lados. Neste cenário, o índice de abstenções pode transformar o resultado, já que a margem de vitória pode ser pequena outra vez. Cerca de 37 milhões de eleitores resolveram não ir às urnas em 2022, que apontou uma vitória para Lula de 2,1 milhões de votos. Isso quer dizer que se 8% dos ausentes tivessem ido votar em Bolsonaro, o Planalto, hoje, teria outro inquilino.

Portanto, a preocupação dos estrategistas da esquerda é perder por pouco em São Paulo, não ganhar. A função de Haddad, assim, é impedir que o adversário transforme o estado em um “supercolégio” de votos para o segundo turno presidencial. Do outro lado, Tarcísio sabe que ampliar sua vantagem é uma das poucas formas de compensar a força histórica do lulismo no Nordeste.

Dessa forma, a estratégia Flávio Bolsonaro não será apenas a de conquistar eleitores, mas convencê-los da importância de comparecer às urnas. Esse tipo de convencimento é diferente e nunca foi trabalhado para valer pelos marqueteiros. Esses especialistas da direita cogitam que pode ser mais fácil crescer entre aqueles que se ausentaram quatro anos atrás do que convencer os eleitores que hoje apoiam Lula.

Este é o terceiro pleito polarizado que vamos enfrentar, uma eleição que tem tudo para ser a mais disputada desde a redemocratização do país. Será um teste para quem tem o coração fraco. Por isso, apertem os cintos. Pela temperatura das redes sociais em torno do caso Master, a briga já começou. E bstante pesada.

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