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Num eventual governo petista, quem vai mandar na economia?

Hoje, a Folha de S. Paulo publica um artigo de Guido Mantega com o título de “Bolsonarismo levou Brasil à crise e retomada virá com seu fim” (é preciso ser assinante). Mantega foi escolhido pelo candidato Luiz Inácio Lula da Silva para descrever sua proposta econômica para o Brasil. O texto fala mais sobre o passado do que sobre o futuro e apresenta dois sofismas.

Em um primeiro momento, o ex-ministro diz o seguinte: “Entre 2019 e 2022, o PIB brasileiro terá um crescimento médio de 0,5 % ao ano. Um pouco melhor do que o decréscimo médio de 0,13 % ao ano do governo [de Michel] Temer, entre 2016 e 2018”. A política econômica estabelecida por Henrique Meirelles neste período teve como objetivo afastar a barafunda heterodoxa que o próprio Mantega havia comandado nos anos anteriores, inchando o déficit público, jogando a inflação para o alto e reduzindo investimentos produtivos por parte da iniciativa privada. A única maneira de fazer isso seria com uma política monetária restritiva, que reduz a expansão da economia.

Em outro ponto, o autor fala sobre os anos do PT no governo e aponta o seguinte: “a partir de 2008, o Brasil passou a receber avaliações positivas de grau de investimento pelas principais empresas de avaliação de risco”. Mantega esqueceu de dizer que, em dezembro de 2015, quando Dilma Rousseff ocupava o Palácio do Planalto, o Brasil perdeu seu primeiro selo de bom pagador da agência de rating Fitch.

A escolha de Mantega como o autor deste artigo é preocupante.

Nos mandatos de Lula, o diapasão econômico foi dado pelo presidente do Banco Central nestes oito anos (curiosamente, o mesmo Henrique Meirelles que seria ministro da Fazenda sob Temer). Quando Mantega foi confirmado como titular do Bloco P da Esplanada dos Ministérios no mandato de Dilma Rousseff, sem a tutela de Meirelles, tivemos uma das piores gestões da economia nacional.

O crescimento visto nos mandatos de Lula, com o déficit público em descontrole sob Dilma, esvaiu-se rapidamente. A inflação subiu e os investimentos refrearam. Uma forma de tentar manter o consumo em alta foi a desoneração do IPI para eletrodomésticos e automóveis (o que chegou a estimular esses mercados por um determinado período).

Quando o truque começou a fazer água, Mantega chamou os representantes dos principais bancos em Brasília e pediu que fossem criadas linhas de crédito com juros menores para causar um novo choque de consumo. Os banqueiros entreolharam-se e ficaram em silêncio por alguns segundos. Até que um deles disse que dificilmente alguém compraria uma geladeira para substituir um equipamento com poucos meses de uso apenas por conta de taxas convidativas – e o mesmo raciocínio valeria para o mercado de automóveis.

As instituições financeiras não tomaram grandes providência, mas Dilma ordenou que Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil reduzissem suas taxas de financiamento. Como os banqueiros tinham previsto, não houve exatamente uma corrida ao comércio para comprar bens duráveis de consumo.

Ao convidar Mantega para escrever o artigo desta semana, Lula passa uma mensagem desanimadora ao mercado – a de que pode enveredar pelo caminho tortuoso da heterodoxia econômica. Mas, como Lula costuma ouvir muita gente antes de tomar suas decisões, pode voltar atrás de nomear alguém que agrade à Faria Lima, como foi o caso de Meirelles em 2003.

Até isso acontecer, haverá apreensão entre banqueiros e empresários – caso Lula vença as eleições, evidentemente.

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