Image Image Image Image Image Image Image Image Image Image
Scroll to top

Top

Nenhum comentário

21/10, uma data em que o passado e o futuro podem mudar

21/10, uma data em que o passado e o futuro podem mudar

Hoje, 21 de outubro, haverá a sabatina de Kassio Nunes Marques para a vaga que se abriu no Supremo Tribunal Federal. Mas também é uma data clássica entre nerds e cinéfilos: trata-se do dia em que o personagem Martin McFly (foto) viajou no tempo de 1985 para 2015 na trilogia de filmes “De Volta Para o Futuro”. Confesso que esse tema foi uma obsessão minha desde que vi o filme “Máquina do Tempo” na televisão. A película, baseada no livro de H.G. Wells, tinha um inventor como personagem principal, que viajava ao ano de 802701.

Trata-se de um assunto que encantou outros escritores. Ray Bradbury, por exemplo, publicaria o conto “Um Som de Trovão” em 1952, criando o conceito do paradoxo temporal. Nesta obra, uma empresa cria uma máquina do tempo para que caçadores façam safaris na época dos dinossauros, matando apenas animais que iram morrer em poucas horas. Mas um dos viajantes do tempo, sem querer, pisa em uma borboleta e, voltando à época original, percebe que toda a história do planeta foi mudada – é por causa desta história, por sinal, que se criou o termo “efeito borboleta”.

Minha obsessão com a possibilidade de viajar no tempo, ao contrário do livro de H.G. Wells, não era conhecer o futuro – e sim poder rever os erros do passado. Essa ideia me perseguiu durante alguns anos, até que eu percebesse que a vida atual, mesmo com todos os problemas vividos anteriormente, era exatamente aquilo que eu gostaria de experimentar. Qualquer mudança nos anos antecedentes, através de um eventual efeito borboleta, poderia transformar a atualidade. E isso eu não gostaria de vivenciar.

Mas, se houvesse a possibilidade de mexer os pauzinhos e mudar certos acontecimentos de outrora sem promover modificações em suas vidas particulares, o que vocês gostariam de alterar na história? Deixo aqui cinco contribuições, tirando as grandes guerras de fora, pois são vários os motivos que impulsionam conflitos armados – e talvez uma só pessoa não seja suficiente para evitar a deflagração deste tipo de embate.

Assim sendo, vamos ao Top Five de eventos que poderiam ser resolvidos com a intervenção de um indivíduo que viajasse no tempo e interferisse diretamente na raiz de sua eclosão.

Renúncia de Jânio – a democracia acabou sofrendo no Brasil por conta da ditadura militar. Mas, antes disso, tivemos um governo fraco e hesitante, encabeçado por João Goulart, que flertou com a esquerda em seus estertores finais e tinha a intenção de promover a quebra de hierarquia nas Forças Armadas. Mas o que causou tudo isso? A renúncia de Jânio Quadros, que apostou erradamente num apoio das forças conservadoras, já que boa parte do Congresso não queria a posse de Jango, o vice de plantão. Como evitar esse episódio da história brasileira? Provavelmente evitando a porranca que motivou o então presidente a chutar tudo para o ar, ou trancando-o em seu quarto até que ele afastasse essa ideia descabida. Com Jânio no poder – e talvez enfrentando um tratamento para o alcoolismo – haveria a chance de mantermos a democracia e entregarmos o poder a um mandatário legitimamente eleito em 1965.

Acidente aéreo de Castelo Branco – com a saída de Jânio, João Goulart ascende ao poder e deixa o cenário aberto a um golpe militar. E, no regime de exceção, seria necessário ter as forças moderadas atuando fortemente dentro do Exército, Marinha e Aeronáutica. O maior porta-voz dos militares moderados, que desejavam devolver rapidamente o poder aos civis, foi o Marechal Humberto Castelo Branco, presidente entre 1964 e 1967. Ele não queria ser sucedido por Arthur da Costa e Silva, notoriamente mais duro politicamente, mas acabou cedendo para não criar um racha no Exército. Em junho de 1967, o avião Piper no qual viajava do Ceará (onde tinha ido visitar a escritora Rachel de Queirós) ao Rio de Janeiro, foi abalroado por um caça da aeronáutica no ar. Com a morte do Marechal, a linha dura militar ficou solta e mandando durante os anos de Costa e Silva, da Junta Militar e de Emílio Garrastazu Médici. Caso estivesse vivo, no entanto, Castelo Branco poderia utilizar sua influência para reduzir o período em que a “tigrada”, como eram chamados os militares mais radicais, mandou no país. O resultado disso seria a maior pressão que Castelo exerceria sobre a linha dura – e isso provavelmente mudaria o curso da história para melhor.

Eleição de Dilma – durante os mandatos de Luiz Inácio Lula da Silva, apesar de maculados pelo Mensalão, a administração respeitou os parâmetros do chamado Tripé Econômico, mantendo a inflação sob controle e permitindo um maior crescimento no cenário econômico. Este cenário, no entanto, foi desfigurado pela sucessora de Lula. Como eu faria para evitar que Dilma Rousseff fosse eleita? Tentaria convencer Lula de indicar outro poste – ou simplesmente deixaria vazar à imprensa as inconsistências do currículo de Dilma antes que sua candidatura. Com isso, talvez a candidatura fosse abortada e alguém melhor pudesse entrar em seu lugar.

Fitas de Joesley – o governo Michel Temer, apesar de impopular nas pesquisas, estava fazendo sua lição de casa e aprovando as reformas necessárias para seu patrimônio. Uma delas, a da Previdência, estava prestes a ser votada e tinha prognósticos muito bons de aprovação. Foi neste cenário, em maio de 2017, que o empresário Joesley Batista, instruído pelo então procurador-geral da República, Rodrigo Janot, entrou com um gravador no Palácio do Jaburu. O áudio captado nesta conversa não foi suficiente para derrubar Temer, mas inviabilizou a votação da Reforma Previdência. Resultado: perdemos dois anos à espera de uma solução para as contas previdenciárias. Como evitar que a gravação ocorresse? Sugerir ao presidente fazer uma inspeção em Batista e deixar tudo o que estivesse em seus bolsos em outro cômodo.

Mônica Lewinsky – muitos creditam a derrota de Al Gore à sucessão de Bill Clinton ao escândalo sexual que envolveu o então presidente à estagiária da Casa Branca (a falta de carisma do vice-presidente americano, é verdade, contribuiu). As contas públicas estavam em ordem e a economia local bombava. Nessas situações, geralmente, o presidente nos EUA faz seu sucessor. Caso Gore fosse eleito, dificilmente teríamos o atentado de 11 de setembro e o país se filiaria ao Acordo de Kyoto, tornando o mundo mais verde e possivelmente mais próspero.

Não se pode afirmar taxativamente que as soluções imaginadas acima funcionariam, criando um futuro alternativo melhor. Mas um novo começo é sempre alentador, mesmo que seja em bases ficcionais. E você? Que acontecimento do passado gostaria de mudar?

Envie seu comentário

um × dois =