Com aprovação da Anvisa para o Ozivy, grupo liderado por Carlos Sanchez acelera ofensiva nacional em um dos segmentos mais rentáveis do setor
A aprovação da Anvisa para o registro do Ozivy, primeira versão brasileira inspirada no Ozempic, colocou a EMS no centro de uma das disputas mais promissoras da indústria farmacêutica. O movimento representa um avanço estratégico para o grupo liderado por Carlos Sanchez, presidente do Grupo EMS, que vem apostando na expansão de medicamentos de alta demanda e no fortalecimento da produção nacional em segmentos dominados por multinacionais.
O Ozivy chega ao mercado em um momento de explosão da procura por medicamentos à base de semaglutida, utilizados no tratamento do diabetes tipo 2 e amplamente associados ao emagrecimento. A expectativa da EMS é ampliar o acesso ao produto por meio de preços mais competitivos, em uma estratégia que pode acelerar a popularização da categoria no Brasil e pressionar concorrentes globais. “Estamos democratizando o acesso a um tratamento inovador”, afirmou Sanchez ao comentar a aprovação regulatória.
A Tacada da Semana de MR mostra que o impacto da entrada da EMS no segmento já mobiliza o varejo farmacêutico. A RD Saúde, maior rede de farmácias do país, projeta que o volume de vendas da categoria poderá dobrar com a redução de preços provocada pela produção nacional. Segundo executivos da companhia, embora o valor médio dos produtos possa cair pela metade, o ganho de escala tende a dobrar o mercado consumidor.
Além da disputa comercial, a aprovação do Ozivy fortalece a estratégia industrial da EMS em um setor considerado altamente lucrativo e de rápida expansão global. O grupo vem ampliando investimentos em biotecnologia, pesquisa e desenvolvimento para reduzir a dependência de medicamentos importados e ocupar espaço em categorias de maior valor agregado.
Bancos e consultorias internacionais estimam que o segmento global de medicamentos para obesidade e diabetes da classe GLP-1 pode movimentar entre US$ 95 bilhões e US$ 130 bilhões até 2030, impulsionado pelo avanço da obesidade, maior adesão médica e expansão do acesso via queda de preços. O Goldman Sachs chegou a classificar o setor como um dos mais promissores da indústria farmacêutica global, enquanto estudos recentes apontam que mercados emergentes, como o Brasil, devem acelerar o consumo com a entrada de versões nacionais e mais acessíveis
A ofensiva da EMS também simboliza uma mudança estrutural no mercado farmacêutico brasileiro. Ao nacionalizar um medicamento de forte apelo comercial e terapêutico, a companhia não apenas desafia gigantes internacionais, mas inaugura uma nova etapa de competição baseada em escala, acesso e capacidade produtiva local — uma tacada que pode redefinir o jogo no segmento de medicamentos para obesidade e diabetes no país.
