Parceria entre Catuaí e Iguatemi prevê investimento de R$ 1 bilhão para trazer o Four Seasons de volta a São Paulo e ampliar a presença dos grupos na hotelaria e no mercado imobiliário de alto padrão
Em um dos endereços mais valorizados de São Paulo, dois nomes conhecidos do empresariado brasileiro decidiram unir forças para um negócio bilionário. Bruno Khouri, CEO da Catuaí Real Estate, e Pedro Jereissati, presidente do Conselho de Administração da Iguatemi, estão por trás de um investimento de aproximadamente R$ 1 bilhão que marcará o retorno do Four Seasons à capital paulista.
A parceria, que coloca lado a lado duas famílias com trajetórias consolidadas no setor imobiliário e no mercado de luxo, foi escolhida como A Tacada da Semana de MONEY REPORT. Mais do que a construção de um hotel cinco estrelas, o movimento representa uma estratégia de diversificação de negócios em um segmento no qual localização, exclusividade e experiência se tornaram ativos cada vez mais valiosos.
O empreendimento será erguido entre as ruas Amauri e Jerônimo da Veiga, no Itaim Bibi, próximo à Avenida Faria Lima. Com inauguração prevista para o fim de 2030, o complexo reunirá hotelaria de luxo, residências exclusivas, gastronomia e espaços de bem-estar.
A divisão societária reserva 56% do projeto à Catuaí e 44% à Iguatemi. Mas a aproximação entre os grupos começou muito antes do anúncio. Durante quatro anos, a empresa comandada por Khouri conduziu a aquisição e consolidação de imóveis na região até formar um terreno de aproximadamente 3,6 mil metros quadrados, uma operação que evidencia a complexidade de desenvolver um empreendimento dessa dimensão em uma das áreas mais disputadas da cidade.
Para Khouri, a iniciativa dá continuidade à estratégia da Catuaí de desenvolver projetos imobiliários de alto valor agregado. A companhia, fundada em 1974, em Londrina, já participa de outro empreendimento da Four Seasons no Brasil, a transformação do antigo Hotel Marina Palace, no Leblon, no Rio de Janeiro.
Do outro lado da sociedade, Jereissati enxerga uma oportunidade de ampliar o universo de atuação da Iguatemi. Tradicionalmente associada aos shopping centers de alto padrão, a companhia avança para um modelo que combina hospitalidade, imóveis residenciais e serviços exclusivos, mantendo a proximidade com o público de alta renda que já frequenta seus empreendimentos.
É justamente nessa combinação que está o principal diferencial da operação. Enquanto a Catuaí contribui com sua experiência em incorporação e desenvolvimento imobiliário, a Iguatemi agrega sua relação com marcas internacionais e consumidores do mercado de luxo. O resultado é uma sociedade que busca transformar o prestígio de uma bandeira hoteleira em valor imobiliário de longo prazo.
O projeto também terá um nome de peso na arquitetura. O britânico Sir David Chipperfield, vencedor do Prêmio Pritzker de 2023, fará sua estreia na América do Sul com o edifício de 26 andares. Serão aproximadamente 104 acomodações hoteleiras, 35 apartamentos mobiliados que poderão integrar o programa de locação da Four Seasons e dez residências exclusivas.
As unidades residenciais mais sofisticadas terão cerca de 750 metros quadrados, enquanto a cobertura chegará a 1.200 metros quadrados. Restaurantes, bar, piscina, academia e um spa dedicado à longevidade completam o complexo.
A escolha da Four Seasons também carrega um significado estratégico. A rede canadense estreou em São Paulo em 2018, no complexo Parque da Cidade, mas encerrou a operação apenas dois anos depois. Agora, retorna em um projeto que associa sua marca à força de dois grupos brasileiros e a uma localização privilegiada no coração financeiro da cidade.
O movimento acompanha uma transformação no próprio conceito de luxo imobiliário. O endereço continua sendo determinante, mas já não basta oferecer grandes metragens e acabamentos sofisticados. Serviços personalizados, experiências e a associação a marcas reconhecidas internacionalmente passaram a integrar a proposta de valor desses empreendimentos.
Para Khouri e Jereissati, o desafio será transformar essa combinação em um negócio duradouro, capaz de atrair hóspedes, moradores e investidores dispostos a pagar pela exclusividade.
Se o projeto cumprir suas ambições, a dupla não terá apenas devolvido uma das bandeiras mais prestigiadas da hotelaria mundial a São Paulo. Terá criado uma nova referência para a integração entre hotelaria, residências e serviços de luxo na cidade. Uma tacada de R$ 1 bilhão cujo resultado começará a aparecer em 2030.
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