Passivo sem alternativa de reaproveitamento será transformado em insumo industrial pela primeira vez o Brasil, mostrando de vez que a importância das grandes empresas na reciclagem
Em parceria com a Antares, empresa de reciclagem e regeneração de insumos, a Hyundai Brasil anunciou nesta semana um projeto inédito no Brasil para o reaproveitamento da borra de fosfato gerada de sua produção automotiva. Até aí, tudo bem. Toda a semana alguém anuncia algo parecido. Mas há detalhes a serem levados em conta. Desta vez, o resíduo que era considerado um passivo ambiental sem alternativas viáveis de reaproveitamento vai direto do pátio para uma destinação nobre, virando fertilizante agrícola. O volume esperado, até 270 toneladas anuais, não é grande, mais indica que as grandes indústrias possuem um papel sem intermediários na economia circular.
“Criamos um processo seguro, eficiente e escalável que permite reciclar e os principais elementos presentes na borra de fosfato, como fósforo e zinco, para reaproveitá-los como insumo agrícola. O resultado é um produto que reduz a dependência de fontes não renováveis e fecha um ciclo de economia circular, com resíduos deixando de serem um problema e para virar solução”, explica Ricardo Martins (na imagem), vice-presidente da Hyundai Motor Brasil.
A magnitude do projeto, aliado às práticas ESG do mercado, foi eleita A Tacada da Semana de MR. A borra de fosfato é um resíduo gerado no processo de fosfatização de superfícies metálicas, principalmente em indústrias que utilizam pintura em metais, aumentando a aderência da tinta e protegendo o veículo contra a corrosão. Além da geração de novas destinações aos resíduos pelo reaproveitamento, o processo atenua riscos de contaminação do solo e da água – e diminui substancialmente as emissões de gases de efeito estufa decorrentes da produção de fertilizantes. “Trata-se de um exemplo concreto de como a colaboração entre empresas gera impacto positivo em larga escala” complementa Martins.
Adicionalmente aos benefícios ambientais, aparecem os ganhos econômicos. Para a Hyundai haverá uma redução nos custos de gerenciamento de resíduos. Os resíduos serão coletados na unidade de Piracicaba, no interior de São Paulo para serem tratados pela Antares.
