Contrato de R$ 2,1 bilhões consolida ofensiva da espanhola de mobilidade urbana e reposiciona o Brasil como eixo estratégico
Abrir caminhos continua sendo um dos investimentos mais caros e decisivos para uma metrópole. Foi exatamente essa a jogada da Acciona, escolhida como A Tacada da Semana de MR, após vencer a licitação de R$ 2,1 bilhões para construir o Complexo Viário Roberto Marinho, um dos projetos de mobilidade mais importantes da cidade de São Paulo. A operação reforça a estratégia de expansão liderada pelo CEO do grupo, José Manuel Entrecanales Domecq (imagem), que tem ampliado a presença da companhia em grandes projetos urbanos e de infraestrutura sustentável.
Com cerca de 4,7 quilômetros de extensão, a obra vai conectar a Avenida Jornalista Roberto Marinho à Rodovia dos Imigrantes (SP-160), principal corredor entre a capital e o Porto de Santos. O contrato prevê três novas faixas por sentido, três viadutos, dois túneis, ciclovia, obras de macrodrenagem e a implantação de um parque linear de 314 mil metros quadrados ao longo do córrego Água Espraiada, dentro da cidade. Mais que asfalto, é fluxo, drenagem, urbanismo e disputa por relevância.
O valor chama atenção não só pelo volume, mas pelo contexto. A Acciona não apresentou a proposta mais barata, ficando R$ 300 milhões acima da oferta inicial do consórcio brasileiro liderado por Novonor (ex-Odebrecht) e Queiroz Galvão. Ainda assim, venceu após uma sequência de recursos administrativos que resultaram na desclassificação das concorrentes por alterações no projeto original. Em licitações desse porte, a nota técnica pesa muito. A espanhola soube jogar esse jogo.
“Nosso objetivo é gerar impacto positivo onde quer que atuemos, com infraestrutura que entregue valor real às sociedades que atende.”, afirma o CEO.
A vitória também reforça a presença da Acciona no Brasil, onde a empresa já executa a PPP da Linha 6 do Metrô de São Paulo (Brasilândia-São Joaquim), considerada o maior projeto de mobilidade urbana em curso na América Latina, além de atuar em outros trechos do metrô e concessões de saneamento no Paraná, Espírito Santo e Pernambuco. O contrato do Complexo Roberto Marinho amplia esse portfólio e ancora a companhia em um dos mercados mais relevantes de infraestrutura.
Do ponto de vista urbano, o projeto promete reduzir gargalos históricos no trânsito da zona sul, melhorar o acesso à Rodovia dos Imigrantes e integrar transporte individual, ciclovias e áreas verdes. Do ponto de vista corporativo, é uma aposta pesada em um país onde grandes obras são demoradas, politizadas e frequentemente judicializadas, mas também capazes de gerar recorrentes contratos bilionários.
A tacada da Acciona é clara. Modernizar a cidade enquanto amplia sua fatia em um mercado competitivo, assumindo riscos técnicos, financeiros e jurídicos. Em tempos de disputa, abrir estradas – ciclovia e parques – segue sendo um dos movimentos mais custosos e estratégicos do tabuleiro urbano.
