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Toffoli suspende denúncia contra Serra por lavagem de dinheiro

Da redação
29 de julho de 2020

As denúncias contra o senador e ex-governador de São Paulo, José Serra (PSDB), foram suspensas por determinação do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli. Serra e sua filha, Verônica Allende Serra, se tornaram réus na Justiça Federal por algumas horas nesta quarta-feira (29), depois que uma denúncia da força-tarefa da Lava-Jato do Ministério Público Federal em São Paulo foi aceita pelo juiz Diego Paes Moreira. Há também outra denúncia na Justiça Eleitoral. Toffoli suspendeu ambas, alegando irregularidades.

Serra e sua filha são suspeitos de serem os principais beneficiários de um esquema de propinas e de lavagem de dinheiro. Porém, Toffoli argumentou que as investigações violaram o estatuto do foro privilegiado do senador, pois tiveram acesso a documentos que se referem ao atual mandato. O ministro determinou que o material recolhido seja lacrado. A defesa do senador afirmou também que o caso na Justiça Eleitoral deve ser avaliado pelo seu relator, que é o ministro Gilmar Mendes, após o final do recesso, na próxima semana.

De acordo com a PF, Serra recebeu propina da Odebrecht e é acusado de lavagem de dinheiro envolvendo as obras do Rodoanel Sul, na capital paulista. Os crimes teriam ocorrido até 2014. Em 2018, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que as suspeitas atribuídas a Serra até 2010 estavam prescritas. Agora, com o argumento do foro privilegiado, as investigações ficam ainda mais limitadas no tempo, mas podem ser conduzidas contra a filha do senador e outros suspeitos.

Os promotores da Lava-Jato em São Paulo apontam que José Amaro Pinto Ramos e Verônica Serra abriram empresas de fachada no exterior para receber pagamentos da Odebrecht. As contas teriam sido mantidas por Verônica Serra até 2014, quando os recursos foram transferidos para a Suíça, onde outra conta de fachada era mantida. Investigações também apontam para o recebimento de R$ 5 milhões em doações não contabilizadas para campanha ao Senado em 2014.

Residências e escritórios de Serra em São Paulo e em Brasília foram alvo de operações da Polícia Federal em 21 de julho. A PF não pode vasculhar o gabinete do senador, em Brasília.

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