Os partidos Democratas (DEM) e Movimento Democrático Brasileiro (MDB) devem anunciar suas saídas do Centrão, o bloco de apoio mais estreito ao governo federal. O desligamento oficial deve ocorrer até o final da semana. Os dois partidos se manterão no apoio, mas assumirão posturas independentes do dito “blocão”, ala liderada pelo deputado Arthur Lira (Progressistas-AL). Lira se aproximou do governo e é considerado um especie de líder informal e embaixador do Planalto dentro da Câmara dos Deputados.
Agora, DEM e MDB devem ser conduzidos pelo presidente Rodrigo Maia (DEM-RJ), que defende propostas diferentes daquelas do governo sobre a reforma tributária e a sucessão da Casa.
Mesmo assim, o Centrão mantém sua força. Com 158 deputados do Progressistas, PL, PSD, Solidariedade, PTB, PROS e Avante, é o grupo mais poderoso, mantendo 18 vagas na Comissão Mista do Orçamento (CMO), o colegiado mais destacado do Congresso. É nela que são decididos como o governo vai investir os recursos que não são carimbados e quais emendas parlamentares vão ser aceitas.
O capítulo final da separação surgiu por causa da prorrogação do Fundeb, o fundo que destina verbas à Educação pública. Lira tentou tirar a votação da pauta, de acordo com um desejo do Executivo. Porém, diante de pressões, houve um recuo do governo apresentado pela liderança do bloco. A manobra desvalorizou as iniciativas dos aliados, que deram um basta. “A gente entendeu que era hora, realmente, de partir para uma linha própria. Foi bom enquanto durou”, afirmou o líder do DEM, Efraim Filho (PB). Juntos, DEM e MDB possuem 63 deputados e podem atrapalha o governo, caso suas agendas sejam ignoradas.
