Do anúncio no Diário Oficial da União até a renúncia ao cargo que jamais assumiu foram apenas cinco dias – incluindo o final de semana. Ex-novo ministro da Educação, Carlos Alberto Decotelli entregou sua carta de demissão ao presidente Jair Bolsonaro na tarde desta terça-feira (30).
Convocado para apaziguar o ministério após a gestão desastrosa de Abraham Weintraub, Decotelli chegou como um quadro técnico sugerido e apoiado pela ala militar do governo. Ele participou da equipe de transição de governo e foi presidente do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). Um dia depois da nomeação, na sexta-feira (26), sua titulação acadêmica foi contestada. Na Plataforma Lattes, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), ele se apresentava como doutorado pela Universidade de Rosário, na Argentina, e pós-doutorado pela universidade de Wuppertal, na Alemanha. O reitor de Rosário afirmou que ele concluiu os créditos, mas jamais teve sua tese aprovada. Assim, no máximo, poderia afirmar que cursou doutorado.
O pós-doutorado na Alemanha chega ser pior. Decotelli teria participado de estudos na instituição e nada mais. Já sua dissertação de mestrado em Administração na FGV foi denunciada como plágio. O texto, de modo geral, é uma colagem simplória e panegírica sobre um banco estatal. Os erros em inglês são gritantes para alguém que se apresenta como criador do curso de Gestão Financeira Corporativa no New York Institute of Finance e coordenador de Finanças Corporativas Internacionais da FGV. Aliás, a FGV informou que ele jamais esteve em seus quadros. Seu currículo na Plataforma Lattes foi retificado na segunda-feira (29), informando que, em vez de um pós-doutorado, havia participado de um projeto de pesquisa na Alemanha e que possui “todos os créditos da pós-graduação em nível de Doutorado em Administração pela Universidade Nacional de Rosário (AR)”. Também se apresentava como “atual ministro da Educação”.
Desmascarado antes disso, Decotelli se desculpou e deu explicações ao presidente durante o final de semana. Era tarde demais. A própria equipe do presidente aconselhou o ex-novo ministro a deixar o cargo antes de sequer tomar posse, a fim de evitar embaraços maiores. A expectativa do governo é encontrar um novo nome para o posto até a quarta-feira (1º). O próximo deverá ter suas credenciais acadêmicas devidamente checadas.

