Uma carta aberta de cerca de 30 fundos internacionais de investimentos pede, nesta terça-feira (23), que o governo do Brasil suspenda o desmatamento na Amazônia. No documento, que teve cópias entregues em embaixadas brasileiras, gestores que administram ativos de quase US$ 4 trilhões, alertam que a perda de biodiversidade e as emissões descontroladas de carbono, decorrentes da queima da floresta, representam um “risco sistêmico” para seus portfólios, já que, além dos problemas ambientais, regras de compliance limitam ou impedem o investimento em países que desrespeitem ou menosprezem questões ambientais. O documento foi destaque na edição do diário econômico britânico Financial Times, sob o título “Investidores alertam Brasil a parar com destruição da Amazônia”.
De origem europeia, asiática e sul-americana, esses fundos agora cobram um “compromisso claro” do presidente Jair Bolsonaro com a redução do desmatamento e a proteção dos direitos dos povos indígenas. O comunicado faz críticas diretas, afirmando que o governo e seus aliados podem estar se valendo da crise da covid-19 para aumentar a desregulamentação ambiental, o pode “comprometer a sobrevivência da Amazônia”. Eles se mostram preocupados com o Projeto de Lei (PL) 2633/2020, que trata da regularização fundiária e é chamada de PL da Grilagem por ambientalistas. “Precisamos, enquanto sociedade, nos mover contra isso”, afirmou Candido Bracher, presidente do Itaú Unibanco, em debate virtual promovida pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban).
Desde antes de assumir a presidência, Bolsonaro se mostrou cético sobre o aquecimento global e os efeitos do desmatamento, criticando os dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), um órgão governamental. De acordo com dados de satélite processados pelo Inpe, só em maio a floresta perdeu uma área equivalente a 14 vezes a ilha de Manhattan, em Nova York. Um aumento de 12%, em relação ao ano anterior.
“Estamos preocupados com o impacto financeiro do desmatamento, bem como as violações dos direitos dos povos indígenas, os quais implicam em potenciais consequências para os riscos de reputação, operacionais e regulatórios de nossos clientes e empresas investidas”, afirma o texto.
O documento é assinado, entre outros, pelo LGPS Central, Comgest, KLP, Storebrand, Legal & General, Aviva e Sumitomo Mitsui Trust. Eles são integrantes da Investor Initiative for Sustainable Forests (Iniciativa de Investidores pelas Florestas Sustentáveis).
