Três ministros da ala militar do governo prestaram depoimento na terça-feira (12) no inquérito que trata de uma suposta interferência política do presidente Jair Bolsonaro no trabalho da Polícia Federal. A apuração foi instaurada com base em declarações feitas pelo ex-ministro Sergio Moro (Justiça e Segurança Pública) em seu anúncio de demissão.
Walter Braga Netto (Casa Civil), Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional) e Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo) disseram que tiveram conversas com Moro para buscar uma saída para a intenção de Bolsonaro de mudar o comando da PF. Braga Netto relatou que o presidente demonstrou insatisfação várias vezes com a falta de dados de inteligência, mas não com a atuação da PF. Além disso, o chefe da Casa Civil informou que Bolsonaro se preocupava com a segurança da família, e não com investigações, ao mencionar em reunião a possibilidade de mudança no Rio de Janeiro.
Augusto Heleno corroborou os fatos narrados por Braga Netto. Ele acrescentou que o presidente nunca pediu dados específicos de apurações da PF em curso. Já Ramos reforçou a versão de que Bolsonaro estava descontente com a qualidade dos relatórios de inteligência. Além disso, o titular da Secretaria de Governo destacou que o presidente afirmou que poderia mexer em todos os ministérios para obter melhores resultados.
