Decisão do BC é a primeira após a reeleição de Lula e ocorre em meio à pressão cambial, às expectativas de inflação acima da meta e às incertezas sobre a política fiscal
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu nesta quarta-feira (4) manter a taxa básica de juros, a Selic, em 13,75% ao ano. Com a decisão, o colegiado interrompe o ciclo de cinco cortes consecutivos iniciado em março. A reunião é a primeira desde a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A manutenção ocorre em um cenário de cautela com a trajetória da inflação e as condições econômicas do país. Entre os fatores considerados pelo mercado estão a valorização do dólar, as incertezas em relação à política fiscal e a expectativa de inflação acima do centro da meta. Esses elementos reduzem o espaço para novos cortes nos juros no curto prazo.
O comunicado do Copom também destacou a aceleração recente da inflação cheia e das medidas subjacentes, que ficaram acima do limite superior do intervalo de tolerância da meta. O comitê avaliou que os riscos inflacionários permanecem elevados, com predominância de fatores de alta, e ressaltou que a política fiscal doméstica continua sendo acompanhada pelos possíveis impactos sobre a política monetária e os ativos financeiros.
A decisão foi unânime entre os sete integrantes do colegiado, liderado pelo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. No comunicado, o Copom não antecipou os próximos passos e afirmou que seguirá acompanhando a evolução do cenário econômico para manter o nível de restrição monetária necessário à convergência da inflação para a meta. A próxima reunião do comitê está prevista para dezembro.
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