O que diferencia um grande líder? Como criar uma cultura organizacional capaz de sobreviver ao crescimento, às mudanças de mercado e até mesmo à troca de comando? Essas foram algumas das questões debatidas durante o Encontro de Gerações, promovido por MONEY REPORT, que reuniu Alexandre Bettamio, chairman de Global Corporate & Investment Banking do Bank of America, e Diogo Corona, CEO do Grupo Smart Fit. A mediação foi de Aluizio Falcão Filho, publisher de MONEY REPORT.
Ao longo da conversa, os executivos compartilharam experiências acumuladas em trajetórias bastante distintas, mas que convergiram em alguns pontos essenciais sobre liderança, meritocracia, cultura corporativa e formação de equipes.
Para Bettamio, liderança começa pelo exemplo. Segundo ele, o comportamento do líder acaba moldando o comportamento de toda a organização. Por isso, quem ocupa posições de comando precisa entender que influencia diretamente a forma como equipes trabalham, se relacionam e tomam decisões.
O executivo também destacou que uma empresa sólida não pode depender exclusivamente de uma ou duas pessoas. Na sua visão, líderes devem dedicar parte relevante do tempo à construção de uma cultura capaz de sobreviver às mudanças de geração e aos ciclos naturais de sucessão. “Você tem que fazer uma organização e uma cultura que sobrevivam às pessoas”, afirmou.
Outro ponto recorrente foi a importância da meritocracia. Bettamio defendeu que empresas vencedoras promovem talentos com base em desempenho e resultados, independentemente da antiguidade ou do histórico de relacionamento. Para ele, organizações que deixam de reconhecer quem entrega resultados acabam comprometendo sua própria capacidade de crescimento.
A proximidade com as equipes também apareceu como um elemento central da liderança eficaz. Bettamio contou que, ao assumir posições de comando, sempre fez questão de circular entre os profissionais, manter portas abertas e criar ambientes que favorecessem a integração entre diferentes áreas e gerações. Na sua visão, líderes precisam estar próximos das pessoas para compreender desafios, identificar oportunidades e manter a organização alinhada em torno de objetivos comuns.
Diogo Corona trouxe uma perspectiva complementar. Para o CEO da Smart Fit, liderança está diretamente associada ao protagonismo e à responsabilidade individual. Segundo ele, profissionais e gestores precisam evitar a postura de vítima diante das dificuldades e concentrar energia naquilo que podem controlar e melhorar.
Corona afirmou que um dos exercícios mais importantes da liderança é perguntar constantemente o que poderia ter sido feito de maneira diferente diante de um problema. Essa postura, segundo ele, fortalece a capacidade de execução e aumenta o senso de responsabilidade dentro das equipes.
O executivo também chamou atenção para um desafio comum em empresas de crescimento acelerado: nem sempre os profissionais que participaram da fase inicial do negócio estarão preparados para liderar a organização nos estágios seguintes. Nesses momentos, disse ele, cabe aos líderes tomar decisões difíceis e garantir que a estrutura acompanhe as novas exigências da empresa.
Outro tema destacado foi o papel do exemplo. Corona afirmou que considera a liderança inseparável da capacidade de inspirar por meio das próprias atitudes. Na sua avaliação, o gestor que deixa de representar os valores, a energia e o comprometimento esperados da equipe perde as condições de continuar exercendo plenamente sua função.
A conversa também explorou a importância da execução. Para Corona, boas ideias são abundantes, mas a diferença entre empresas que prosperam e empresas que ficam pelo caminho está na capacidade de transformar estratégias em resultados concretos. Segundo ele, a execução continua sendo um dos maiores diferenciais competitivos de qualquer organização.
Apesar de atuarem em setores diferentes, Bettamio e Corona convergiram em uma conclusão importante: grandes culturas corporativas são construídas por líderes que inspiram, desenvolvem pessoas, valorizam a meritocracia e mantêm o foco constante na evolução. Em um ambiente de negócios cada vez mais competitivo, a capacidade de formar equipes alinhadas e preparadas talvez seja o ativo mais valioso de qualquer organização.