Relatório do BTG Pactual aponta que empresas brasileiras ligadas ao setor de recursos básicos podem ganhar relevância entre investidores em um cenário de maior incerteza econômica e pressão sobre os ativos domésticos. Segundo o banco, companhias com receitas dolarizadas e baixa exposição ao mercado interno tendem a se beneficiar de um ambiente marcado por câmbio mais desvalorizado, juros elevados e aumento da busca por proteção nas carteiras.
De acordo com o estudo, a desvalorização do real é hoje um dos principais fatores capazes de impulsionar os resultados dessas empresas. Como grande parte das receitas é gerada em dólar, enquanto parcela relevante dos custos permanece em reais, movimentos do câmbio podem ter impacto significativo na geração de caixa e na rentabilidade do setor.
Entre os destaques, o BTG Pactual cita Suzano e Gerdau como suas principais preferências dentro da cobertura. A avaliação leva em conta características consideradas defensivas, como exposição relevante ao dólar, estruturas de capital robustas e capacidade de geração de caixa mesmo em um ambiente econômico mais desafiador.
O relatório também chama atenção para a qualidade financeira das grandes exportadoras brasileiras. Segundo os analistas, empresas como Vale, Suzano e Gerdau possuem classificação de grau de investimento, acesso a financiamentos internacionais e exposição limitada às taxas de juros domésticas, fatores que contribuem para reduzir o impacto de um cenário de juros elevados por mais tempo.
No caso da Suzano, o banco destaca a forte geração de receitas em dólar e a capacidade da companhia de capturar ganhos com uma eventual desvalorização do real. Já a Gerdau é apontada como uma empresa com perfil internacional relevante, com aproximadamente 75% do EBITDA vindo da América do Norte.
A Vale, por sua vez, continua enfrentando desafios relacionados ao mercado global de minério de ferro, mas o BTG observa que a companhia mantém baixa exposição à economia doméstica e pode se beneficiar de um aumento da demanda por ativos considerados mais defensivos.
Na visão do banco, o setor de recursos básicos segue convivendo com desafios estruturais em mercados como minério de ferro, aço e celulose. Ainda assim, a combinação entre receitas em moeda forte, balanços sólidos e menor dependência do consumo interno coloca as grandes exportadoras brasileiras em uma posição relativamente favorável dentro do mercado acionário nacional.
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