Investida da Prosus, operadora de saúde Alan busca oportunidades no Brasil; comitiva vem ao país para avançar em negociações
A healthtech francesa Alan definiu o Brasil como próxima fronteira de expansão internacional. Nas últimas semanas, a companhia, que conta com o jogador francês Kyllian Mbappé entre os sócios, colheu informações de pelo menos duas operadoras: Sami Saúde e Alice. Uma comitiva da empresa vem ao país nos próximos dias para avançar nas tratativas.
Em nota, a Alice diz que não comenta rumores de mercado, mas a Canary e o Softbank, relevantes investidores da operadora de saúde, estão dispostos a fazer negócio. A primeira busca uma saída de forma mais ativa, visto que já está na Alice desde a concepção do negócio, em 2020. Foi seu primeiro investidor. Já o Softbank não se opõe a uma eventual venda, já que a tese do fundo japonês na América Latina mudou. Agora, a prioridade é buscar empresas de inteligência artificial.
Nesse cenário, uma venda em bloco, com Kaszek, Globo Ventures, Maya Capital e outros, que também possuem participação na operadora, passa a ser uma possibilidade. Os franceses, inclusive, já trabalham com um valor para fechar o negócio. Eles acreditam que um cheque de cerca de R$ 2 bilhões é suficiente para seduzir a Alice.
Há também aproximações com a Amil, do empresário José Seripieri Filho, o Junior, que encerrou recentemente negociações com os fundos de private equity Bain Capital e Advent, que discutiram a aquisição da operação por cerca de R$ 17 bilhões.
Uma eventual oferta da Alan pela Amil está fora de cogitação. É muito dinheiro. Nesse caso, a operadora francesa quer avançar com eventuais parcerias com a companhia de Junior.
Modelo francês
Fundada pelos empreendedores Jean-Charles Samuelian e Charles Gorintin em 2016, a Alan tem capital para colocar na empreitada. A companhia encerrou o segundo trimestre deste ano com aproximadamente 1,14 milhão de membros e 840 milhões de euros em receita recorrente anual contratada (ARR). Em junho, anunciou uma rodada de 480 milhões de euros liderada pela Prosus, controladora do iFood e que tem em seu comando o brasileiro Fabrício Bloisi.
Além da Prosus e de Mbappé, a Alan conta com os jogadores da Seleção Francesa Blaise Matuidi e Antoine Griezmann entre seus investidores. “No esporte de elite, o desempenho não é uma questão de sorte: trata-se de antecipação, treinamento, recuperação e atenção meticulosa aos detalhes”, declarou o atacante do Real Madrid em março deste ano, no anúncio do investimento. “Na saúde, funciona da mesma forma. A prevenção não deve ser uma opção, mas um hábito diário. Foi essa convicção que me motivou a unir forças com Alan. Assim como no esporte, quero construir algo a longo prazo, investindo em projetos que estejam alinhados com meus valores e que tenham um impacto duradouro.”
Desafios regionais
Nas últimas semanas, a Alan adquiriu a Tanel, operadora de saúde que opera no Senegal e na Costa do Marfim, na África, com cerca de 70 mil vidas em mais de 400 empresas, com uma rede de 1 200 farmácias e prestadores.
Se entrar no Brasil, vai ter um desafio adicional: o modelo de negócio. A Alan combina planos de saúde, atendimento médico e prevenção em uma plataforma, com venda direta a empresas e consumidores. Por aqui, predominam os planos coletivos, contratados por empresas para funcionários e dependentes ou por entidades de classe para seus associados, com presença relevante de corretores e administradoras de benefícios na distribuição.
São duas diferenças: o canal de venda e o tipo de contrato. A venda direta também pode ser de um plano coletivo, como ocorre quando a operadora negocia com uma empresa. Já a modalidade de contratação determina as regras de reajuste: nos planos individuais, o aumento anual está sujeito ao teto definido pela ANS; nos coletivos, segue regras próprias, com maior espaço para negociação entre operadora e contratante.
‘Perguntas frequentes’
Como a Alan pretende entrar no mercado brasileiro? +
A healthtech francesa Alan avalia aquisições e parcerias para entrar no Brasil. Uma comitiva da empresa deve vir ao país nos próximos dias para avançar nas conversas.
Quanto a Alan pode oferecer pela Alice? +
A Alan trabalha com um cheque de cerca de R$ 2 bilhões para uma possível aquisição da Alice. A operadora afirmou, em nota, que não comenta rumores de mercado.
Os investidores da Alice aceitariam vender a operadora? +
Canary e Softbank estão dispostos a negociar suas participações na Alice, segundo a matéria. Uma venda conjunta com Kaszek, Globo Ventures, Maya Capital e outros investidores também é considerada possível.
A Alan pretende comprar a Amil? +
Não. Uma oferta pela Amil está fora de cogitação devido ao valor da operação, mas a Alan busca avançar em possíveis parcerias com a operadora de José Seripieri Filho.
Qual é o tamanho da Alan? +
A Alan encerrou o segundo trimestre com aproximadamente 1,14 milhão de membros e 840 milhões de euros em receita recorrente anual contratada. Em junho, a healthtech anunciou uma rodada de 480 milhões de euros liderada pela Prosus.
Quais desafios a Alan enfrentaria no Brasil? +
A Alan teria de adaptar seu modelo, que combina planos de saúde, atendimento médico e prevenção em uma plataforma com venda direta. No Brasil, predominam planos coletivos e a distribuição tem presença relevante de corretores e administradoras de benefícios.
Por Pedro Gil
