Beauty Society aposta em formação empresarial para ajudar salões e clínicas a estruturar processos
O Brasil abriu 236 mil pequenos negócios no setor de beleza em 2025, crescimento de 18,5% em relação ao ano anterior. O volume equivale a cerca de 27 novas empresas por hora, segundo levantamento do Sebrae, e reforça a expansão de um mercado que ainda convive com dificuldades de gestão, formação de equipes e padronização do atendimento.
É nesse cenário que o Beauty Society busca ampliar sua atuação como ecossistema de formação para empresários da beleza. Criada por Saulo Abrahão e Luiz Ferraz, a iniciativa reúne conteúdos de gestão, liderança, vendas, marketing, desenvolvimento humano e capacitação técnica para donos de salões e clínicas de estética.
A proposta parte da avaliação de que o domínio técnico, embora essencial, deixou de ser suficiente para garantir a sobrevivência e o crescimento dos negócios.
“O setor da beleza amadureceu, mas muitos negócios ainda operam de forma improvisada. A técnica continua sendo indispensável, mas, sozinha, não sustenta crescimento”, afirma Abrahão, fundador do salão Duo+ e do Método Voe Alto.
A expansão do mercado trouxe operações mais complexas, com equipes maiores, aumento dos custos e consumidores mais exigentes. Nesse contexto, práticas como controle financeiro, definição de processos, treinamento de funcionários e gestão da experiência do cliente passaram a ter peso maior na rotina dos estabelecimentos.
Segundo Ferraz, um dos principais obstáculos é a dependência excessiva do desempenho individual de determinados profissionais. “Quando não existe padronização, a experiência do cliente varia muito. Com treinamento e processos claros, a empresa consegue operar com mais consistência”, diz.
A Beauty Society afirma testar suas metodologias dentro do Duo+, salão de 600 metros quadrados em São Paulo que registra faturamento anual superior a R$ 6 milhões. As práticas adotadas na operação são posteriormente incorporadas aos treinamentos oferecidos pelo grupo.
Além da formação empresarial, o ecossistema promove capacitações em áreas como colorimetria, cortes, tratamentos capilares, micropigmentação, design de sobrancelhas e experiência do consumidor.
Para os fundadores, o avanço do setor também mudou as expectativas dos clientes. Organização de horários, transparência sobre procedimentos, segurança técnica e manutenção de um padrão de atendimento passaram a influenciar diretamente a percepção de qualidade.
“A excelência técnica precisa estar conectada à experiência do cliente, aos processos da empresa e à visão de negócio”, afirma Ferraz.
Outro eixo da iniciativa é a criação de uma rede de empresários para a troca de experiências e práticas de gestão. A ideia é permitir que proprietários de diferentes regiões compartilhem desafios relacionados a contratação, retenção de profissionais, precificação, vendas e expansão.
“Muitos donos de salão acreditam que o problema que enfrentam é exclusivo deles. Quando entram em contato com outros empresários, ganham repertório e conseguem tomar decisões com mais rapidez”, afirma Abrahão.
Com a abertura acelerada de empresas, o desafio do setor passa a ser transformar o crescimento numérico em negócios sustentáveis. Para a Beauty Society, isso depende da combinação entre qualificação técnica, gestão estruturada e desenvolvimento das equipes.
Gostou do conteúdo? Inscreva-se e receba a newsletter de MONEY REPORT
