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Angola acelera privatização de dez empresas antes das eleições de 2027

Da redação
15 de julho de 2026
Governo pretende concluir até o fim do ano o programa de venda de ativos estatais iniciado em 2019

Angola pretende vender participações em dez empresas até o fim de 2026, em uma tentativa de concluir seu programa de privatizações antes das eleições previstas para 2027, informou a Bloomberg. A lista inclui companhias dos setores de mineração, telecomunicações, aviação, serviços financeiros e comunicação.

Entre os principais ativos estão a produtora de diamantes Endiama, a companhia aérea TAAG e a operadora Angola Telecom. Segundo Álvaro Fernão, presidente do Instituto de Gestão de Ativos e Participações do Estado (IGAPE), as privatizações buscam não apenas gerar receitas, mas também ampliar a eficiência e atrair investimentos privados.

O programa de privatizações de Angola foi lançado em 2019 como parte da agenda de reformas econômicas do presidente João Lourenço. A iniciativa previa a venda de 130 ativos estatais até 2026. Até agora, 120 foram negociados, com receitas contratadas de aproximadamente 1,28 trilhão de kwanzas, o equivalente a US$ 1,4 bilhão. Cerca de 17% desse valor, porém, ainda não foi pago.

O governo está concluindo atualmente a oferta pública inicial de uma fatia de 15% da Unitel, maior operadora de telefonia móvel do país. A operação deve ser encerrada em 24 de julho.

Também estão previstas ofertas de 15% da Endiama e da produtora de cimento Cimangola, além da listagem de 34% do Standard Bank Angola. A controladora Standard Bank Group, que possui 51% da unidade, terá direito de adquirir uma participação adicional de 24%.

As fatias da TAAG, da Angola Telecom e da Zona Econômica Especial de Luanda-Bengo deverão ser vendidas por meio de editais públicos. Já o Banco de Comércio e Indústria, a TV Zimbo e o grupo de comunicação Medianova serão negociados em processos de concurso.

De acordo com Fernão, a abertura de capital em bolsa é a alternativa preferida pelo governo, por permitir a entrada imediata de recursos e elevar os padrões de transparência e governança das empresas. O executivo, no entanto, não informou quanto o governo espera arrecadar com as operações.

Também não houve atualização sobre a possível oferta pública da petrolífera estatal Sonangol, considerada uma das privatizações mais aguardadas do país.

As vendas ocorrem em meio à aproximação das eleições de 2027, quando João Lourenço deverá deixar a Presidência após cumprir seu segundo mandato. Nas eleições de 2022, o MPLA, partido que governa Angola desde a independência, obteve 51% dos votos, seu resultado mais apertado em décadas.

O avanço recente dos preços do petróleo também ampliou as receitas de exportação e reduziu parte da pressão sobre as contas públicas angolanas.

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