PATROCINADORES

Exame: Como a Livelo deixou de ser um programa de milhas para se tornar um negócio de R$ 6,5 bilhões

Da redação
14 de julho de 2026
Com 10 anos de mercado, empresa aposta em inteligência artificial, Pix e novos parceiros, como Uber e Magalu, para dobrar de tamanho até 2030

Durante muitos anos, acumular pontos significava apenas uma coisa: trocar por passagens aéreas. Mas esse mercado mudou e a Livelo quer ser a principal responsável por essa transformação.

Criada em 2016 por Banco do Brasil e Bradesco, a empresa nasceu como um programa de fidelidade ligado aos cartões de crédito. Dez anos depois, se tornou uma plataforma de engajamento e benefícios que conecta consumidores, bancos, varejistas e empresas de diversos setores.

Hoje, reúne mais de 60 milhões de clientes, mais de 600 parceiros e fechou o último ano com faturamento de R$ 6,5 bilhões, valor que representa um crescimento de cerca de 10% em relação ao período anterior.

Agora, a meta é ainda mais ambiciosa: chegar a R$ 11 bilhões em receita até 2030.

“Nós praticamente dobramos de tamanho desde 2021. O plano agora é dobrar novamente. Não é simples, mas estamos construindo esse caminho”, afirma André Fehlauer, CEO da Livelo, em entrevista exclusiva ao De Frente com CEO, da EXAME.

Muito além das milhas

A principal mudança da companhia aconteceu justamente no modelo de negócio. Quando foi criada, praticamente todos os pontos emitidos vinham dos cartões do Banco do Brasil e do Bradesco. Além disso, quase 100% dos resgates eram destinados às companhias aéreas.

Esse cenário mudou completamente.

Hoje, 65% da receita da Livelo já vem de fora dos dois bancos, enquanto apenas cerca de 60% dos pontos são utilizados para viagens. Os outros 40% são destinados a compras em marketplaces, produtos, pagamentos, experiências e outras soluções criadas pela empresa.

Mais do que isso: quando se observa o número de operações realizadas pelos consumidores, 85% das transações já não envolvem companhias aéreas.

“Deixamos de atender apenas quem queria viajar. Hoje atendemos qualquer consumidor que queira extrair mais valor do seu consumo”, diz Fehlauer.

O negócio passou a ser o ecossistema

Essa transformação foi impulsionada pela expansão da rede de parceiros.

Além dos bancos, a empresa construiu um ecossistema com mais de 600 empresas, incluindo varejistas, marketplaces, aplicativos de mobilidade, farmácias, supermercados e instituições financeiras, como Uber, Casas Bahia, Magazine Luiza e Drogasil. Além disso, passou de dois bancos para parceria com 26 instituições financeiras.

“O nosso papel é orquestrar esse ecossistema. Conectamos bancos, varejo, companhias aéreas e dezenas de outros segmentos para que o cliente possa acumular e resgatar pontos onde fizer mais sentido para ele”, afirma o executivo, que diz que marcas que representam cerca de 85% do e-commerce brasileiro já mantêm algum tipo de parceria com a plataforma.

Outra frente importante passou a ser o mercado corporativo.

A vertical Livelo Empresas já responde por cerca de 20% do faturamento da companhia, oferecendo programas de fidelidade e campanhas de incentivo para empresas de diversos setores.

“O varejista que ainda não está na Livelo provavelmente está deixando dinheiro na mesa”, afirma o CEO da Livelo.

Segundo ele, algumas campanhas chegam a registrar taxas de conversão próximas de 30%, tornando a plataforma uma alternativa eficiente de aquisição de clientes.

Pontos também viram dinheiro

Outra mudança importante foi aproximar o programa de fidelidade do dia a dia do consumidor.

Nos últimos anos, a Livelo passou a permitir que os clientes utilizem seus pontos para compras em parceiros, pagamento de produtos, além da conversão em dinheiro via Pix.

Ao mesmo tempo, também ampliou as possibilidades de acúmulo. Hoje, consumidores podem ganhar pontos mesmo pagando compras por Pix em diversos parceiros comerciais.

“O objetivo é democratizar o acesso aos programas de fidelidade. O cliente não precisa usar apenas cartão de crédito para acumular pontos”, afirma Fehlauer.

O consumidor também passou a enxergar os pontos como um ativo de valor financeiro, afirma Fehlauer.

“Você não precisa gastar mais para ganhar pontos. Basta direcionar um consumo que já faria para um parceiro da Livelo e extrair mais valor daquela compra.”

Inteligência artificial acelera crescimento

Se a primeira década foi marcada pela construção do ecossistema, a próxima deverá ser impulsionada pela tecnologia.

A Livelo afirma que já se tornou um case do Google na adoção de inteligência artificial.

Hoje, cerca de 80% dos funcionários utilizam ferramentas de IA diariamente, seja para ganho de produtividade, seja para melhorar processos internos.

A tecnologia também deverá mudar a experiência do consumidor.

Entre os projetos em desenvolvimento estão sistemas capazes de recomendar automaticamente a melhor forma de utilizar pontos, localizar passagens mais vantajosas e personalizar ofertas de acordo com o perfil de cada cliente.

“Não basta colocar inteligência artificial sobre processos antigos. É preciso redesenhar a forma de trabalhar pensando que essa tecnologia agora faz parte do negócio”, afirma o executivo.

Junho, Copa do Mundo e dez anos da Livelo impulsionam resultados

Junho se consolidou como um dos meses mais importantes do calendário da Livelo. Além de marcar os dez anos da companhia, o período reuniu uma série de campanhas promocionais e coincidiu com a Copa do Mundo, impulsionando o engajamento dos consumidores.

“Junho foi um mês muito bom. Como era o aniversário de dez anos da Livelo, planejamos muitas ações. Tivemos oito campanhas com companhias aéreas e diversas promoções com nossos parceiros,” diz o CEO.

O executivo também afirma que cerca de 8 milhões de clientes acumularam pontos no período, enquanto aproximadamente 2 milhões realizaram resgates, aproveitando as campanhas especiais.

A Copa do Mundo também ajudou a movimentar os negócios, principalmente em categorias ligadas ao consumo durante o torneio. Segundo Fehlauer, a Livelo vendeu mais de 1,3 milhão de figurinhas e álbuns da competição e observou um aumento na procura por televisores e outros eletrônicos, impulsionada pelo campeonato.

“A Copa do Mundo movimenta diferentes categorias de consumo. O cliente pode usar pontos para comprar o álbum oficial, ganhar pontos nas compras e aproveitar promoções em produtos como televisores. É um evento que gera muito engajamento dentro da plataforma.”

Embora a competição tenha estimulado o consumo, Fehlauer explica que o maior impacto no segmento de viagens continua sendo o período de férias de julho. Segundo ele, viagens internacionais costumam ser planejadas entre 90 e 120 dias antes do embarque, o que faz com que boa parte das reservas deste ano acontecesse meses antes do Mundial.

O plano para chegar a R$ 11 bilhões

Para sustentar a próxima etapa de crescimento, a estratégia da empresa está apoiada em quatro pilares.

O primeiro é ampliar a base de clientes, que hoje cresce entre 2,5 milhões e 3 milhões de novos consumidores por ano.

O segundo é expandir o número de parceiros, principalmente em categorias presentes na rotina das pessoas, como contas de consumo, educação, farmácias e varejo físico.

O terceiro envolve investimentos em dados e inteligência artificial para tornar a comunicação mais personalizada.

Por fim, a companhia quer ampliar sua presença no consumo presencial, permitindo que pontos sejam acumulados e utilizados cada vez mais em lojas físicas.

“Estamos fazendo um investimento muito forte em dados, tecnologia e inteligência artificial para entender melhor cada cliente e oferecer a melhor experiência possível, seja para acumular ou para resgatar pontos”, diz o CEO.

Três dicas para acumular pontos

Mesmo diante de juros elevados, consumo pressionado e um cenário econômico mais desafiador, Fehlauer acredita que o principal obstáculo da empresa ainda não é macroeconômico.

Muito brasileiros, segundo o CEO, simplesmente desconhecem todas as possibilidades oferecidas pelos programas de fidelidade.

“Nosso maior concorrente hoje é a falta de conhecimento sobre o que os pontos podem proporcionar. Ainda existe muito espaço para crescer apenas mostrando ao consumidor como ele pode consumir de forma mais inteligente”, afirma.

Segundo o CEO, há três estratégias que podem acelerar o acúmulo de pontos:

Escolher um cartão que acumule pontos na Livelo. Concentrar os gastos em um único cartão facilita o acúmulo e potencializa os benefícios oferecidos pelos programas de fidelidade.

Comprar por meio dos parceiros da plataforma. A Livelo reúne mais de 600 empresas parceiras e realiza centenas de campanhas promocionais todos os meses, permitindo que o consumidor ganhe pontos extras em compras de eletrodomésticos, supermercado, viagens, farmácias e diversos outros segmentos.

Assinar o Clube Livelo. O programa oferece pontos mensais, bônus em promoções e um benefício considerado estratégico: os pontos deixam de expirar enquanto a assinatura estiver ativa. Segundo Fehlauer, isso permite ao cliente acumular por mais tempo e aproveitar promoções de transferência ou resgate quando considerar mais vantajoso.

“Concentre seus gastos, aproveite as promoções e use o programa no dia a dia. Com disciplina, os pontos acabam financiando viagens ou outras compras que você faria no futuro”, diz o CEO.


Por Layane Serrano

Publicação original

COMPARTILHE:

Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

PATROCINADORES

Leia também

Em breve