Exportadores brasileiros enfrentam incerteza com possível tarifaço dos Estados Unidos
Às vésperas da decisão dos Estados Unidos sobre a aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, o governo e representantes do setor produtivo trabalham para ampliar a lista de exceções e reduzir o impacto da medida. Segundo informações do Estadão, o cenário mais provável é a incidência integral da tarifa, com possibilidade de inclusão de novos itens na lista de isenções. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que não haverá “tarifaço”, reforçando a expectativa de que produtos estratégicos sejam poupados.
A proposta do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) tem como base a Seção 301, instrumento jurídico mais robusto que sustenta sanções comerciais contra países acusados de práticas desleais. No caso do Brasil, a investigação cita questões como proteção da propriedade intelectual, uso do Pix, combate à corrupção e barreiras ao mercado de etanol. Analistas destacam que, se confirmada a tarifa cheia, o Brasil enfrentará um dos acessos mais restritivos ao mercado americano, com alíquota podendo chegar a 37,5%, o que isolaria o país em relação a outros parceiros.
Apesar da pressão política, especialistas consultados pelo Estadão acreditam que as negociações podem resultar em uma lista mais ampla de isenções, reduzindo o efeito prático da tarifa. Estimativas apontam que cerca de 54% da pauta exportadora brasileira já está isenta, enquanto 25% segue sob regras anteriores, restando aproximadamente 21% mais expostos ao novo pacote. O impacto sobre o câmbio e os juros dependerá da extensão da medida, com risco de desvalorização do real e maior cautela dos investidores em setores dependentes dos EUA.
A expectativa é que empresas americanas também pressionem por ajustes, alegando dificuldade em substituir fornecedores brasileiros. Nesse contexto, tanto o Brasil quanto os Estados Unidos têm interesse em evitar um choque comercial mais amplo, mas a decisão final segue cercada de incertezas políticas e econômicas.
