PATROCINADORES

Closet e adega deixam de ser apoio e viram espaços para viver

Lorena Scavone Giron
13 de julho de 2026
Ambientes walk-in ganham circulação confortável, iluminação planejada e soluções personalizadas para transformar organização em experiência

Durante muito tempo, closets e adegas foram tratados como espaços essencialmente funcionais: um para guardar roupas, outro para armazenar vinhos. Nos projetos residenciais mais recentes, porém, esses ambientes passaram a ocupar um papel diferente. Em vez de simples áreas de apoio, tornaram-se lugares de permanência, escolha e contemplação.

É nesse movimento que cresce o conceito walk-in, expressão usada para definir ambientes nos quais o morador pode entrar, circular e interagir com o que está armazenado. A proposta vai além de aumentar o espaço disponível: busca tornar a rotina mais intuitiva, confortável e personalizada.

Para a arquiteta Ana Rozenblit, à frente do escritório Spaço Interior, essa mudança acompanha uma nova percepção de luxo, menos associada à ostentação e mais ligada à experiência proporcionada pela casa.

“Essa possibilidade permite que a pessoa se sinta o centro do projeto e não apenas alguém que acessa um item guardado”, afirma.

Um closet pensado para o ritual de se vestir

No closet walk-in, a circulação deixa de ser um detalhe e passa a orientar todo o projeto. A disposição de armários, gavetas, espelhos e prateleiras precisa facilitar a visualização das peças e permitir que o morador monte combinações com conforto.

As ilhas centrais aparecem como uma das soluções mais desejadas. Além de organizar acessórios, joias e óculos, elas funcionam como bancada de apoio durante a escolha das roupas.

Em um dos projetos assinados por Ana, a peça central recebeu gavetas com tampo de vidro, permitindo que os objetos permaneçam visíveis sem ficarem expostos. A solução torna a seleção mais rápida e reduz a necessidade de abrir vários compartimentos.

A ilha com gavetas e tampo de vidro facilita a organização e a visualização dos acessórios| Projeto: Spaço Interior | Fotos: Rafael Renzo

Outro recurso recorrente é a combinação entre áreas abertas e fechadas. Enquanto nichos e prateleiras facilitam o acesso aos itens mais usados, portas e gavetas ajudam a reduzir o excesso de informação visual.

“Equilibrar compartimentos abertos e fechados evita que o ambiente fique carregado. A iluminação integrada também melhora a identificação das peças e valoriza o espaço”, explica a arquiteta.

Neste projeto, o walk-in assumiu uma configuração linear: um corredor executado com marcenaria sob medida, iluminação embutida e portas em vidro refletivo que transformam o percurso até o dormitório | Projeto: Spaço Interior | Fotos: Kadu Lopes

O percurso também faz parte do projeto

Nem todo closet walk-in precisa ocupar um cômodo amplo. Em plantas mais compactas, o conceito pode ser aplicado em corredores que conectam o dormitório a outros ambientes.

Nesse tipo de configuração, a marcenaria sob medida aproveita as paredes de ponta a ponta, enquanto espelhos e portas de vidro ajudam a ampliar visualmente o espaço. A iluminação linear no teto e nas prateleiras conduz o percurso e evita áreas de sombra.

O resultado é um ambiente estreito, mas com sensação de continuidade, quase como uma pequena galeria particular de roupas e acessórios.


O closet assinado por Ana Rozenblit ganhou uma arara com ganchos para a moradora separar, com antecedência, o look do dia seguinte | Projeto: Spaço Interior | Foto: Rafael Renzo


Penteadeiras e pontos de apoio

Quando há espaço, o closet pode concentrar outras etapas da rotina. Penteadeiras integradas, gavetas compartimentadas e bancos transformam o ambiente em uma espécie de camarim doméstico.

Em um dos projetos, a penteadeira foi posicionada próxima à janela para aproveitar a luz natural. O móvel recebeu espelho basculante e divisórias internas para acomodar maquiagens, joias e pequenos objetos.

“A penteadeira não precisa ser um ambiente separado. Quando ela é incorporada ao walk-in, o morador consegue escolher a roupa, experimentar acessórios e finalizar a produção no mesmo espaço”, diz Ana.

Para a arquiteta, a penteadeira incorpora ao closet uma área exclusiva para o autocuidado da moradora | Projeto: Spaço Interior | Fotos: Kadu Lopes

Pufes e bancos centrais completam a composição, oferecendo apoio para calçar sapatos, acomodar peças ou simplesmente fazer uma pausa. Além da função prática, esses elementos ajudam a tornar o closet mais confortável e acolhedor.

Os pufes redondos oferecem apoio para calçar sapatos, descansar ou acomodar as peças escolhidas | Projeto: Spaço Interior | Fotos: Rafael Renzo e Kadu Lopes
A adega como parte do encontro

Na adega walk-in, a disposição dos rótulos valoriza a coleção e transforma a escolha do vinho em parte da experiênciar | Projeto: Spaço Interior | Fotos: Kadu Lopes

Na adega walk-in, a lógica é semelhante. O projeto deixa de privilegiar apenas a capacidade de armazenamento e passa a considerar a experiência de percorrer a coleção, observar os rótulos e escolher a garrafa com calma.

Em uma residência projetada pelo Spaço Interior, a adega foi instalada entre a cozinha e a sala de estar. A localização facilita o acesso durante refeições e encontros, ao mesmo tempo em que transforma o ambiente em parte da área social.

No interior, suportes metálicos e nichos distribuem as garrafas pelas paredes, criando uma exposição envolvente. O teto ripado, o acabamento em madeira e a iluminação quente reforçam a atmosfera acolhedora.

Prateleiras, suportes metálicos e nichos distribuídos pelas paredes desenham o percurso que convida o usuário a caminhar pela adega e explorar cada garrafa| Projeto: Spaço Interior | Fotos: Kadu Lopes

Apesar do apelo visual, aspectos técnicos continuam fundamentais. A climatização deve manter temperatura e umidade adequadas, enquanto a disposição das garrafas precisa facilitar o manuseio e respeitar as necessidades de conservação.

“Quando o cliente escolhe uma adega walk-in, ele busca mais do que capacidade. Existe o desejo de entrar, observar a coleção, escolher o rótulo certo e compartilhar esse momento com os convidados”, afirma a arquiteta.

No fim, tanto no closet quanto na adega, o conceito walk-in traduz uma mudança maior na arquitetura residencial: a casa deixa de ser organizada apenas para guardar objetos e passa a ser desenhada em torno dos pequenos rituais de quem vive nela.

Gostou do conteúdo? Inscreva-se e receba a newsletter de MONEY REPORT

COMPARTILHE:

Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

PATROCINADORES

Leia também

Em breve