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Gigantes dos EUA pressionam Trump contra tarifa sobre o Brasil

Da redação
7 de julho de 2026
Empresas pedem ao governo dos EUA que reconsidere tarifa de 25% e alertam para impactos sobre cadeias produtivas, consumidores e fabricantes americanos

Coca-Cola, Tesla e eBay se manifestaram contra a proposta do governo dos Estados Unidos de impor uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. A medida, anunciada em junho pela gestão Donald Trump, foi apresentada com base na Seção 301, dispositivo legal que permite aos EUA aplicar sanções comerciais contra países acusados de adotar práticas consideradas prejudiciais ao comércio americano.

O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o USTR, abriu uma consulta pública para receber comentários sobre a proposta. O prazo para envio das manifestações terminou em 1º de julho.

O governo americano justificou a investigação citando supostas práticas brasileiras relacionadas a comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais, combate à corrupção, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal.

As empresas, no entanto, argumentam que a medida pode provocar efeitos colaterais relevantes para a própria economia americana, especialmente no curto prazo. Entre os principais pontos levantados estão o aumento de custos, a dificuldade de substituir fornecedores e o impacto sobre consumidores e fabricantes dos Estados Unidos.

Coca-Cola pede exceção para insumos cítricos

A Coca-Cola solicitou ao USTR que mantenha a isenção prevista para insumos de laranja originários do Brasil e inclua uma exceção semelhante, ou um regime de transição, para insumos de limão usados na cadeia de bebidas.

Segundo a companhia, a substituição de fornecedores brasileiros não poderia ocorrer de forma imediata. A empresa afirmou que uma mudança exigiria novos processos de validação, incluindo revisões de segurança alimentar, testes de produtos e ajustes operacionais, o que elevaria custos para a indústria.

A Coca-Cola também argumentou que a produção americana de cítricos enfrenta dificuldades provocadas por doenças, eventos climáticos e mudanças no uso da terra. A empresa citou a queda da produção de laranjas na Flórida, que passou de 242 milhões de caixas na safra 2003/2004 para 12 milhões de caixas na safra 2025/2026.

Diante desse cenário, a companhia afirmou que o Brasil se tornou uma fonte complementar essencial para suprir a demanda da indústria americana de suco de laranja.

Tesla alerta para impacto na indústria americana

A Tesla, montadora de veículos elétricos de Elon Musk, também pediu que o governo americano reavalie os efeitos da tarifa sobre fabricantes dos Estados Unidos.

Em sua manifestação, a empresa afirmou apoiar políticas voltadas à reindustrialização americana e à construção de cadeias de suprimento mais resilientes dentro do país. No entanto, ressaltou que essa transição exige tempo.

A montadora argumentou que alguns insumos ainda não estão disponíveis nos Estados Unidos em escala suficiente para sustentar uma produção competitiva sem o apoio de cadeias internacionais já estabelecidas. Entre esses componentes, segundo a empresa, estão peças e insumos fornecidos pelo Brasil.

A Tesla pediu que o USTR considere os impactos sobre a indústria americana e retire da lista de produtos sujeitos à tarifa os insumos brasileiros necessários à produção industrial.

Para a empresa, uma política tarifária que avance mais rapidamente do que a capacidade real de substituição por fornecedores domésticos pode gerar custos relevantes para a indústria e para os consumidores americanos.

eBay quer isenção para produtos usados

O eBay, uma das maiores plataformas de comércio eletrônico do mundo, também apresentou críticas à proposta. A empresa pediu que produtos de segunda mão, usados e seminovos sejam excluídos de qualquer tarifa aplicada no âmbito da investigação da Seção 301.

A plataforma argumenta que taxar produtos revendidos não atinge o objetivo declarado de pressionar fabricantes ou corrigir práticas comerciais consideradas irregulares. Segundo o eBay, um item usado já foi produzido, comprado e revendido, muitas vezes por diferentes proprietários ao longo dos anos.

Na avaliação da empresa, uma tarifa aplicada no momento da revenda penaliza o mercado secundário, e não a produção original do bem. Além disso, a medida poderia afetar pequenos revendedores que não tiveram participação na fabricação dos produtos.

O eBay também alertou que a tarifa pode produzir um efeito oposto ao desejado. Com menos produtos usados entrando no mercado americano, consumidores poderiam migrar para itens novos, inclusive fabricados sob as mesmas condições que o USTR afirma investigar.

A proposta ainda será analisada pelo governo americano após o encerramento da fase de comentários públicos.

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