Em meio aos debates sobre negócios, tecnologia, investimentos e expansão internacional que movimentam a Brazilian Week em Nova York, o artista visual Gabriel Wickbold apresenta a série “Brasileiros” como um gesto de contraponto e reconexão cultural.
A exposição ocorre durante o Digital Assets Conference, no evento do Experience Club, e também no Consulate General of Brazil in New York, onde permanece aberta ao público até 11 de julho.
Criada há 20 anos, a série nasceu da vontade de percorrer o Brasil e documentar a potência humana e simbólica do país além dos grandes centros. Rostos, histórias, sotaques e expressões populares passaram a formar um retrato afetivo de um Brasil muitas vezes invisível para os próprios brasileiros.
“Existe um Brasil que não cabe em planilha. Um Brasil que nasce na poesia do Crato, no maracatu, nos mestres populares, no cordel, no samba, no funk, nos sotaques e nas ruas. Esse talvez seja o maior ouro cultural que essa nação possui”, diz Gabriel Wickbold.
Em um momento em que o mundo volta seus olhos para a estética e para o chamado “Brazil Core”, a exposição questiona até que ponto o próprio empresariado brasileiro valoriza a origem cultural dessa força simbólica.
“Muito se fala sobre a potência do Brasil no mundo. Mas potência sem identidade vira só produto. A cultura é o que sustenta emocionalmente uma nação”, afirma Gabriel Wickbold
Ao ocupar espaços ligados ao mercado financeiro e ao empreendedorismo com imagens sobre identidade popular brasileira, Wickbold propõe uma reflexão sobre pertencimento, autoestima cultural e responsabilidade coletiva.
“Empoderar o povo brasileiro também passa por valorizar sua cultura. Porque quando um país perde conexão com suas raízes, ele começa a esquecer quem ele é”, completa Gabriel Wickbold.
A presença de “Brasileiros” em Nova York marca os 20 anos da série e reforça a importância da arte e da cultura popular como parte central da construção da imagem contemporânea do Brasil no mundo.
