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Galípolo defende cautela com os juros, mas que a redução está perto

Da redação
11 de fevereiro de 2026
Presidente do BC afirma na CEO Conference que objetivo está alinhado ao de outros países e destaca desafios estruturais locais

O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, afirmou nesta quarta-feira (11) que a meta de inflação brasileira está alinhada à praticada por economias equivalentes e não deveria ser alterada tão cedo. Segundo ele, o debate mais relevante hoje é entender por qual razão o país ainda precisa manter taxas de juros elevadas para garantir a convergência da inflação ao objetivo estabelecido.

Durante participação na CEO Conference Brasil 2026, promovida pelo BTG Pactual em São Paulo, Galípolo disse que estudos conduzidos em conjunto pelo Banco Central (BC) e pelo Ministério da Fazenda indicaram que a meta nacional está em linha com padrões internacionais, tanto de economias emergentes quanto desenvolvidas.

Para o economista, o principal desafio é explicar por que, mesmo com juros mais altos que os de países pares, a inflação brasileira demora mais a convergir. Ele atribuiu esse cenário a fatores conjunturais — como impactos pós-pandemia no mercado de trabalho, expansão de liquidez e programas sociais — e a mudanças estruturais, incluindo novas formas de emprego mediadas por plataformas digitais e os efeitos ainda incertos da inteligência artificial.

Galípolo também destacou que o BC busca reunir mais dados antes de iniciar um ciclo de queda da taxa básica de juros. A autoridade monetária sinalizou possibilidade de cortes a partir de março, caso o cenário econômico se mantenha favorável.

Segundo ele, a política monetária atravessa um momento de “calibragem”, com melhora gradual da inflação, mas ainda cercada por incertezas externas, questões geopolíticas e o ambiente político doméstico. A Selic está em 15% ao ano desde junho.

As projeções mais recentes do mercado indicam expectativa de queda gradual da taxa para cerca de 12,25% em 2026 e 10,5% em 2027. Já a inflação medida pelo IPCA acumula alta de 4,44% em 12 meses até janeiro, permanecendo acima do centro da meta, embora abaixo do teto estabelecido pelo BC.


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