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Pâncreas em perigo; 500 mil afastados; antidemência; HPV; maconha

Da redação
15 de fevereiro de 2026

Boletim de MR sobre medicina, pesquisa, inovação, saúde mental, negócios e políticas públicas



Uso indevido de canetas e o risco de pancreatite

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) investiga seis mortes suspeitas e mais de 200 notificações de pancreatite em usuários de canetas emagrecedoras, como Ozempic, Saxenda e Mounjaro, usadas para reduzir obesidade e diabetes. Na segunda (9) foi emitido um alerta sobre riscos de uso sem prescrição médica. Os casos ainda são preliminares, sem causalidade confirmada, mas preocupam devido ao aumento recente, similar a 19 mortes raras no Reino Unido. Fatores como perfil de risco, perda de peso rápida, alterações digestivas pelos fármacos, uso off-label e canetas falsificadas agravam os problemas, que já constam em bulas. Especialistas recomendam suspensão imediata ao suspeitar de inflamação pancreática e uso só com acompanhamento médico.

Vacina para HPV indicada para cânceres de cabeça e pescoço

A vacina Gardasil 9 contra HPV teve sua indicação ampliada pela Anvisa na quarta (11). Foi reconhecido que o fármaco também protege contra cânceres de orofaringe, alguns tumores de cabeça e pescoço associados ao vírus, além de colo do útero, vulva, vagina, ânus e lesões pré-cancerosas. A atualização da bula é baseada na prevenção de infecções persistentes por tipos oncogênicos do HPV e na robusta resposta imunológica demonstrada, informou a agência. A vacinação é indicada para pessoas de 9 a 45 anos, homens e mulheres, com maior eficácia antes do início da vida sexual para evitar exposição ao vírus transmitido principalmente por contato sexual. Especialistas reforçam a importância da imunização precoce para maximizar a proteção contra esses tumores em ascensão.


5 semanas de treino que podem prevenir a demência por 20 anos

Um treinamento cerebral adaptativo inicial de até 45 dias para idosos acima de 65 anos pode reduzir em 25% o risco de demências, incluindo Alzheimer. Com foco na velocidade do processamento visual das informações, o estudo da Faculdade de Medicina do Hospital Johns Hopkins durou 20 anos e constatou diferenças estatisticamente significativas em relação ao grupo de controle. Dos 2.802 participantes, o grupo com sessões iniciais e reforços teve índices menores de problemas cognitivos com a idade. As comparações foram feitas com os registros do sistema Medicare de 1999 a 2019. O programa ajustou a dificuldade diariamente, promovendo aprendizado implícito, em vez dos usuais treinamentos de memória e raciocínio – que não tiveram efeitos duradouros. Resultados sugerem potencial para intervenções não farmacológicas acessíveis, complementando hábitos saudáveis, embora mecanismos biológicos exijam mais pesquisas.


O que MR publicou

O que há por trás da recusa na análise de nova vacina antigripe

A American Medical Association (AMA), em parceria com o Vaccine Integrity Project, lançou uma revisão independente e baseada em evidências sobre a segurança e eficácia de vacinas contra influenza, covid VSR para a temporada 2026/2027 de vírus respiratórios, criticando o colapso do processo do Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) e seu comitê Advisory Committee on Immunization Practices (Acip). Essa iniciativa escancara as disputas entre parte da comunidade científica e a controvérsia das alterações das recomendações federais do governo Trump. Paralelamente, a Food and Drug Administration (FDA) rejeitou o pedido de aprovação da vacina de gripe mRNA da Moderna para maiores de 50 anos, apesar de ensaios clínicos com mais de 40 mil participantes mostrarem eficácia superior (até 26,6%) contra linhagens principais.

O bem que fará o plantio da Cannabis

A Anvisa autorizou neste mês o cultivo de cannabis no Brasil para fins medicinais, pesquisa e produção de medicamentos, incluindo plantio em pequena escala por associações de pacientes. Essa decisão, destacada na coluna de Cláudio Lottenberg, da revista Veja, marca um avanço regulatório impulsionado por relatos de pacientes sobre benefícios em condições como dor crônica, epilepsia, Parkinson e efeitos colaterais de quimioterapia. O autor enfatiza que o foco deve estar na pesquisa científica para superar a burocracia e gerar evidências locais. Lottenberg cita uma revisão no Journal of the American Medical Association (Jama), de 124 estudos entre 2010 e 2025, que confirma evidências fortes apenas para canabidiol purificado em epilepsias raras pediátricas e moderadas para náuseas por quimioterapia ou apetite em HIV/Aids. Para outras indicações comuns, como dor, ansiedade e insônia, os dados são limitados a estudos observacionais ou ensaios pequenos, com prescrições off-label predominantes. Ele alerta que isso reflete incertezas, não invalidação do potencial terapêutico. A autorização abre portas para pesquisas mais amplas, essenciais para esclarecer usos, riscos e benefícios da cannabis sem tabus ou visões panaceístas.

Brasil soma mais de 500 mil afastamentos por transtornos mentais

Em 2025, o Brasil registrou 534.904 afastamentos do trabalho por transtornos mentais e comportamentais, um aumento de 13,2% em relação aos 472.328 casos de 2024, marcando o quinto ano consecutivo de crescimento e o maior número da série histórica, conforme análise do Data Cajuína, da empresa Caju. A média mensal foi de 44.575 ocorrências, com pico no segundo trimestre (158.537 casos), e a ansiedade liderou com 161.303 registros, representando 30% do total. Esses transtornos responderam por 13,6% dos auxílios-doença do INSS, gerando custos estimados em R$ 3,5 bilhões, um acréscimo de mais de R$ 400 milhões ante o ano anterior.

Metanol em bebidas liga alertano Carnaval

Alguns estados que tiveram mortes e casos por bebidas contaminadas por metanol estarão em alerta neste Carnaval para as bebidas adulteradas. Segundo o Ministério da Saúde, em 2025, o Brasil confirmou 76 casos de intoxicação por metanol associada ao consumo de bebidas alcoólicas. Outras 29 ocorrências ainda estão em investigação. No mesmo período, houve 25 óbitos confirmados, além de oito em investigação. Este ano, até 3 de fevereiro, foram confirmados sete casos e 13 estão sendo investigados. São Paulo foi o estado mais atingido. No total, foram confirmados 52 casos, sendo 12 mortes (quatro homens de 26, 45, 48 e 54 anos residentes da cidade de São Paulo; uma mulher de 30 anos e um homem de 62 anos, de São Bernardo do Campo; dois homens de 23 e 25 anos e uma mulher de 27 anos, de Osasco; um homem de 37 anos, de Jundiaí; um homem de 26 anos, de Sorocaba; e um homem de 26 anos, de Mauá).

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