Com alta de 30% na produção, fabricante brasileira quer retomar patamar pré-pandemia após vendas da linha E2 quadruplicarem
A Embraer quer retomar, em até dois anos, o patamar de cerca de 100 entregas anuais de jatos comerciais — nível registrado antes da pandemia — e depois avançar para volumes ainda maiores, impulsionada por um forte aumento de pedidos de aeronaves regionais. A meta foi confirmada por Arjan Meijer, presidente-executivo da Embraer Aviação Comercial, em entrevista à Reuters.
O plano prevê um crescimento de quase 30% na produção e nas entregas em comparação com o resultado do ano passado, quando a fabricante brasileira entregou 78 jatos comerciais, dentro da projeção divulgada pela empresa (entre 77 e 85 unidades).
Segundo Meijer, a demanda atual e o desempenho das vendas indicam que a Embraer pode ir além da meta inicial. “A primeira meta é voltar a 100 entregas, mas com a demanda que temos atualmente e os resultados de vendas… provavelmente teremos que ir além disso”, afirmou.
Mesmo após perder uma disputa na Polônia para a Airbus, a Embraer registrou forte avanço comercial em 2025: as vendas do E2 quadruplicaram e a empresa fechou 131 pedidos líquidos, incluindo encomendas da All Nippon Airways e da Latam. De acordo com Meijer, a procura se mantém elevada à medida que companhias aéreas retomam planos de renovação de frota adiados durante a pandemia de Covid-19.
Apesar das tensões geopolíticas, o executivo afirmou que não percebe queda na demanda. “Se estou preocupado com certos acontecimentos globais? Sim, com certeza, estamos atentos a isso, mas não vemos a demanda caindo”, disse, antes da conferência Airline Economics desta semana, em Dublin.
Cadeia de suprimentos ainda busca estabilidade
Meijer afirmou que houve melhora na cadeia de suprimentos, mas defendeu que o setor precisa voltar a um cenário de estabilidade em 2026. Componentes como motores e estruturas aeronáuticas seguem entre os itens que enfrentam interrupções pontuais.
Ele disse ainda que a fabricante de motores Pratt & Whitney teria superado a escassez e gargalos de manutenção com mais eficiência, em contraste com a disputa envolvendo a Airbus e a própria Pratt & Whitney por causa da falta de motores Geared Turbofan, usados em parte da família A320neo.
No caso do E2, o executivo apontou que a versão do motor utilizada teria menor probabilidade de enfrentar problemas de durabilidade, em razão de o avião ser menor e mais leve e por ter entrado em operação mais tarde, evitando falhas iniciais.
O número de aeronaves paradas por atrasos de manutenção teria recuado para um dígito, após um pico entre 25 e 40, e Meijer afirmou esperar que chegue a zero até o fim de 2026.
Índia no radar e novos modelos sem pressa
Meijer evitou comentar informações de que a Embraer estaria perto de anunciar um acordo para montagem de aviões na Índia. Segundo uma fonte ouvida pela Reuters em Nova Délhi, o braço aeroespacial do bilionário Gautam Adani planejava divulgar parceria com a empresa brasileira, em um contexto em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve visitar o país no próximo mês.
Sobre novos desenvolvimentos, Meijer indicou que a Embraer não tem pressa em lançar um sucessor para sua atual linha de aeronaves e que o foco, neste momento, está em tecnologias associadas. “Estamos analisando todas as opções. Uma nova plataforma para um (fabricante) é uma decisão importante e teremos que agir com calma e cuidado”, afirmou.
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