Boletim de MR sobre medicina, pesquisa, inovação, saúde mental, negócios e políticas públicas
Se vivemos tanto, por qual razão somos tão doentes
O livro da pesquisadora de saúde pública Devi Sridhar, da Universidade de Edimburgo, é um alerta e uma provocação aberta que atinge os alvos possíveis e necessários: os indivíduos e as instituições. Em um mundo obcecado com bem-estar e saúde, “How Not to Die – Too Soon” (“Como Não Morrer – Muito Cedo”, sem edição em português), é um guia essencial e transformador que muda o foco da responsabilidade individual para a responsabilidade da coletiva nas questões de saúde e sobre o quanto e como queremos viver.
Sridhar afirma que nos venderam uma mentira monumental. A obsessão com a otimização da saúde individual nos distraiu do verdadeiro fator de mudança: responsabilizar os governos por políticas que possam prolongar significativamente a expectativa de vida com qualidade. O ponto central é que hoje, nas sociedades ricas, as pessoas vivem muito, porém na média geral, com baixa qualidade. Enquanto isso, a partir das sociedades mais pobres, seguimos alvos de múltiplas e potenciais crises globais de saúde por pura falta de organização. Prestar atenção no que ela escreve é fundamental para entender por qual razão vivemos cada vez mais e tão adoentados.
Estudo aponta forma mais segura de usar opioides
Pesquisadores de saúde da University of South Florida (USF Health) descobriram uma nova forma de atuação dos receptores opioides que pode levar a medicamentos analgésicos mais seguros. Suas descobertas mostram que certos compostos experimentais podem amplificar o alívio da dor sem intensificar efeitos colaterais perigosos, como a supressão respiratória. A pesquisa oferece um novo modelo para o desenvolvimento de opioides com efeito mais duradouro, maior eficácia e menor risco. E também abre caminho para tratamentos mais seguros para outros distúrbios cerebrais
Os estudos se concentram em um grupo de compostos analgésicos experimentais que atuam nos receptores opioides mu. Esses receptores são proteínas encontradas em células nervosas que reduzem os sinais de dor quando ativadas por opioides como a morfina. No entanto, a ativação desses receptores também desencadeia efeitos colaterais graves, que podem contribuir para mortes por overdose. Para a pesquisadora Laura Bohn e sua equipe, a meta é desenvolver compostos que aliviem a dor sem causar reações nocivas.
Medicamento para início do Alzheimer chega ao Brasil

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) liberou um novo medicamento, o Leqembi, para tratamento de pacientes diagnosticados na fase inicial da doença de Alzheimer. A aprovação foi publicada no Diário Oficial da União , em 22 de dezembro.
Produzido com o anticorpo lecanemabe, o medixcameno é indicado para retardar o declínio cognitivo de pessoas que já apresentam demência leve causada pela doença.
Segundo o registro da Anvisa, o lecanemabe reduz as placas beta-amiloides no cérebro. O acúmulo dessas placas é uma característica definidora da doença de Alzheimer. O produto é uma solução para diluição para infusão. “A principal medida de eficácia foi a mudança nos sintomas após 18 meses”, apontou a agência. A avaliação ocorreu a partir de uma escala de demência denominada CDR-SB, utilizada para testar a gravidade da doença de Alzheimer em pacientes.
O que MR publicou
Vacina da dengue do Butantan será aplicada a partir de 17/01

Na luta contra a dengue, o Sistema Único de Saúde (SUS) vai aplicar a vacina produzida pelo Instituto Butantan, de dose única, em três cidades: Maranguape (CE) e Nova Lima (MG), a partir do próximo sábado (17), e em Botucatu (SP), a partir de domingo (18).
O objetivo é avaliar os resultados com a imunização de pelo menos 50% dos moradores desses municípios. O público-alvo será composto pela população com a faixa etária entre 15 e 59 anos.
O primeiro lote também será destinado aos profissionais da atenção primária, que atuam nas unidades básicas de saúde (UBS). Segundo o Ministério da Saúde, com o aumento da produção de doses, a partir da parceria de transferência de tecnologia entre o Butantan e a chinesa WuXi Vaccines, a estratégia será gradualmente ampliada para todo o país. O objetivo é começar pela população de 59 anos ou mais até atingir o público de 15 anos, conforme a disponibilidade de doses.
A conclusão surgiu de uma pesquisa tornada pública pela revista The Lancet Regional Health – Americas. Baixas cargas virais provocam, em geral, quadros menos graves. No levantamento, os pesquisadores analisaram amostras de 365 voluntários que tiveram dengue sintomática entre 2016 e 2021 em 14 estados do Brasil. Isso, conforme avaliaram os pesquisadores, demonstrou a eficácia da vacina em induzir resposta imune e diminuir a replicação do vírus nas células.
Carretas de Mamografia ampliam faixa etária de rastreio

As Carretas de Mamografia, iniciativa do Governo de São Paulo, começaram 2026 atendendo mulheres das regiões da Grande São Paulo, Araraquara, São José do Rio Preto e Taubaté, com mudança nas regras de acesso ao exame, segundo a Secretaria de Estado da Saúde (SES).
Com as novas normas de rastreamento, o programa Mulheres de Peito passa a atender mulheres de 50 a 74 anos apenas com a apresentação do RG e do cartão SUS. Já as pacientes entre 35 e 49 anos e acima de 74 anos devem apresentar pedido médico. Antes da atualização, o atendimento sem solicitação médica era realizado até os 69 anos, enquanto mulheres a partir dos 70 anos precisavam de pedido médico.
O serviço funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, com a distribuição de até 50 senhas por dia. Aos sábados, o atendimento ocorre das 8h às 12h, com até 25 senhas, exceto feriados. A entrega das senhas é feita por demanda espontânea e por ordem de chegada.
As Carretas de Mamografia registraram um aumento de 76% nos exames de prevenção e diagnóstico do câncer de mama no Estado de São Paulo, em 2025. Foram realizados 60.831 exames, frente a 34.605 em 2024. Além das carretas, mulheres paulistas de 50 a 74 anos também podem agendar gratuitamente a mamografia pelo SUS, sem necessidade de pedido médico, por meio do telefone 0800 779 0000. O agendamento é realizado pelo Sistema Informatizado de Regulação do Estado de São Paulo.
O que mudou no rastreamento do câncer de colo do útero
A Fundação do Câncer lançou nesta quinta-feira (8) uma nova versão atualizada do “Guia Prático de Prevenção do Câncer de Colo do Útero”, como parte do Janeiro Verde, mês de conscientização e prevenção da doença. O guia teve a primeira edição lançada em 2022, quando se falava de vacinação contra o papilomavirus humano (HPV), vírus que afeta a pele e as mucosas – a infecção sexualmente transmissível mais comum no mundo – e o rastreamento com o exame Papanicolau, que utilizava a citologia, método vigente à época.
A nova versão orienta profissionais de saúde na transição de rastreamento, que substituirá gradualmente o exame Papanicolau pelo teste molecular de DNA-HPV. A implementação dos testes moleculares para HPV oncogênico iniciaram em setembro do ano passado, por meio de um núcleo criado na Secretaria de Atenção
A vacinação das meninas é a forma mais eficaz de prevenir o câncer de colo do útero. “Não tendo uma infecção por HPV, nada ocorre. É o que a gente chama de prevenção primária”, disse Flavia Corrêa, doutora em Saúde Coletiva da Criança e da Mulher pelo Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira, da Fundação Oswaldo Cruz (IFF/Fiocruz).
