Boletim de MR sobre medicina, pesquisa, inovação, saúde mental, negócios e políticas públicas
Wegovy em comprimidos é aprovado nos EUA
A FDA aprovou nos Estados Unidos o Wegovy Pill, primeiro comprimido diário à base de semaglutida (GLP-1) para tratamento da obesidade e redução de risco cardiovascular em pessoas com sobrepeso ou obesidade, com eficácia similar às canetas injetáveis de Ozempic e Wegovy. O medicamento da Novo Nordisk, que usa 25 mg de semaglutida, supera o já existente Rybelsus (até 14 mg, focado em diabetes tipo 2) e é visto como um marco ao ampliar as opções de administração para controle de peso. Em estudos clínicos, o comprimido proporcionou redução média de 16% do peso corporal, com cerca de um terço dos pacientes perdendo 20% ou mais, patamar antes associado sobretudo à cirurgia bariátrica. A forma oral diária é apontada como mais simples, discreta, logisticamente menos complexa que as versões injetáveis, com uso em jejum ao menos 30 minutos antes do café da manhã, e também traz benefício na prevenção de eventos cardiovasculares como infarto e AVC. O produto já está em análise na Anvisa, com expectativa de possível liberação em 2026, enquanto a Eli Lilly aguarda aprovação de sua própria pílula de GLP-1, a orforgliprona
Casaco de José alivia inflamações nas articulações, aponta pesquisa
Pesquisadores brasileiros da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e da Universidade Estadual Paulista (UNESP) descobriram que a planta Alternanthera littoralis, conhecida como Casaco de José ou Armadilla viburnum, é segura e eficaz para reduzir inflamação, aliviar dor e proteger contra artrite. Crescente naturalmente no litoral brasileiro, ela é usada há séculos na medicina tradicional para tratar inflamações, infecções e parasitas, mas faltavam estudos científicos para validar esses benefícios. Os resultados de laboratório conferem credibilidade aos remédios populares à base dessa planta, demonstrando ação anti-inflamatória e alívio de sintomas articulares. Essa evidência abre portas para o desenvolvimento de terapias naturais futuras, potencializando o uso de recursos fitoterápicos no tratamento de doenças reumáticas.
Calor pode aumentar risco de casos de AVC

Casos de acidente vascular cerebral (AVC) tendem a aumentar no verão, declarou o neurocirurgião e neurorradiologista intervencionista do Hospital Quali Ipanema, no Rio de Janeiro, Orlando Maia.
Segundo o médico, uma série de fatores predispõem o ser humano nessa época do ano ao AVC. Um dos principais é o próprio calor que gera uma desidratação natural das células que, por sua vez, causam um aumento da possibilidade de coagulação do sangue. “E isso tem um maior potencial de gerar AVC, porque o AVC está ligado a coágulo”, disse o médico. Existem dois tipos de AVC. Um é o AVC hemorrágico, que é o rompimento de um vaso cerebral e representa a minoria dos casos, em torno de 20%. O outro tipo, que domina o número de casos, é o AVC isquêmico, causado pela formação de um coágulo e entupimento de um vaso. Orlando Maia explicou que, como o sangue fica mais espesso, mais concentrado devido à desidratação, isso favorece a trombose, que é a formação de um coágulo e, por isso, tem maior predisposição ao AVC.
O que MR publicou
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Sedentarismo jovem cria risco cardíaco

Homens jovens entre 20 e 30 anos já estão apresentando fatores de risco cardiovascular que eram comuns apenas em homens mais velhos, a partir de 40 anos. Estudos do National Health and Nutrition Examination Survey mostram que, entre adultos de 18 a 39 anos, 7,3% já apresentam hipertensão e 8,8% têm colesterol alto. Os dados revelam ainda que 26,9% possuem pressão arterial em níveis elevados e 21,6% têm colesterol considerado limítrofe, muitas vezes sem diagnóstico.
O cardiologista Aloisio Barbosa da Silva confirmou que quase um em quatro jovens já apresenta algum sinal de alteração de pressão ou colesterol antes dos 40 anos. Alertou que tudo isso está relacionado aos maus hábitos que levam à disfunção metabólica do organismo. A professora de cardiologia na Escola de Medicina da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), Sarah Fagundes Grobe, membro do Comitê de Comunicação da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), confirmou que há um avanço de risco cardiovascular entre jovens de 20 a 30 anos e de ambos os sexos.
Anvisa alerta para perigos das canetas emagrecedoras manipuladas
Popularizadas por influenciadores e celebridades, as chamadas canetas emagrecedoras, como Mounjaro e Ozempic, vêm sendo cada vez mais buscadas por pessoas que desejam emagrecer de forma rápida, muitas vezes sem orientação médica e sem nenhum critério.
Diante da procura desenfreada, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu um alerta sobre a compra e consumo desses medicamentos. Segundo a Anvisa, a venda e o uso de canetas emagrecedoras falsas representam um sério risco à saúde e é considerado um crime hediondo no país.
Um em cada cinco brasileiros já usou drogas ilícitas
Cerca de um em cada cinco brasileiros (18,7%) já experimentou substâncias psicoativas ilícitas ao menos uma vez na vida, segundo a atualização do Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad), da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Entre os homens, 23,9% já usaram drogas e entre as mulheres, 13,9%.
Entre as mulheres jovens (menores de idade), a quantidade de meninas que experimentou drogas foi superior à de meninos. Segundo a pesquisa, 8,1% ou mais de 13 milhões de pessoas fizeram uso de drogas até um ano antes da pesquisa. Entre adultos, o consumo foi de 6,3% em 2012 para 15,8% em 2023, triplicando entre mulheres, grupo para o qual a evolução foi de 3% para 10,6%.
Jovens de 15 a 19 anos podem se vacinar contra HPV até junho
Os jovens de 15 a 19 anos que ainda não tomaram a vacina contra o HPV ganharam mais 6 meses para se imunizarem. O Ministério da Saúde prorrogou até o primeiro semestre de 2026 a estratégia de resgate vacinal (retomada da cobertura vacinal) para essa faixa etária.
O prazo para a imunização acabaria agora em dezembro. Segundo o Ministério da Saúde, a medida tem como objetivo reforçar a proteção desse público em todo o país. A estratégia seguirá vigente até a próxima Campanha de Vacinação nas Escolas, permitindo que adolescentes e jovens que perderam a oportunidade de vacinar-se dos 9 aos 14 anos ainda possam garantir a imunização.
