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Farmarcas atinge R$ 10 bi em vendas, 50% acima do setor

Lorena Scavone Giron
22 de dezembro de 2025
Grupo associativista projeta faturamento de R$ 17 bilhões até 2030, apoiado em expansão, marca própria e mudança no mix de produtos

A Farmarcas alcançou, em novembro, R$ 10 bilhões em vendas acumuladas nos últimos 12 meses. O marco reforça o avanço do modelo associativista no varejo farmacêutico e posiciona o grupo, que reúne 11 redes de drogarias, em um novo patamar de escala e competitividade, com crescimento superior ao do mercado nacional.

O desempenho foi impulsionado pela combinação de expansão acelerada, crescimento orgânico das lojas já existentes e aumento do valor agregado dos produtos vendidos. Segundo Edison Tamascia, presidente da Farmarcas, o resultado confirma a efetividade da estratégia adotada. “É um número de dois dígitos, sempre representativo. Crescemos cerca de 50% acima do mercado, o que mostra que as decisões tomadas estão no caminho certo”, afirma.

Em 2025, o grupo prevê a abertura de 148 novas unidades. No mesmo período, cerca de 60 lojas foram descredenciadas por não atingirem os padrões de desempenho definidos. “Crescer também envolve depuração. Nosso foco é expansão saudável, com critérios claros e alinhamento estratégico”, diz Tamascia.

Apesar do resultado expressivo, a Farmarcas trata o marco como parte de um plano mais amplo. Com apenas 13 anos de operação, a organização projeta alcançar R$ 17 bilhões em faturamento até 2030, apoiada no fortalecimento do associativismo com gestão profissionalizada. “O número valida um processo de constância, disciplina e maturidade de gestão. Não é um ponto final”, afirma Ângelo Vieira, diretor de Comunicação do grupo.

Crescimento além das canetas emagrecedoras

Um dos destaques do desempenho é o impacto ainda limitado dos medicamentos GLP-1, conhecidos como canetas emagrecedoras, nas redes associativistas. Dados da Febrafar mostram que, embora o varejo farmacêutico nacional tenha crescido 12,8%, com 6,3% desse avanço vindo dos GLP-1, o crescimento do grupo associativista foi de 14,7%, sendo apenas 1,5% atribuído a esses produtos.

O dado indica que o avanço da Farmarcas ocorreu de forma estrutural, sem dependência de uma tendência específica. Com a ampliação gradual da oferta desses medicamentos a partir do último trimestre, a expectativa é de reforço adicional ao desempenho nos próximos ciclos.

Pilares da expansão

O crescimento da Farmarcas é sustentado por um conjunto de frentes operacionais e comerciais. Entre elas está a expansão da base de lojas, que deve atingir 1.785 farmácias em 2025, apoiada inclusive por estratégias digitais de captação de novos associados.

Outro fator é o avanço das vendas nas mesmas lojas, impulsionado pelo uso intensivo de indicadores de desempenho, suporte administrativo, marketing estruturado e melhorias na gestão comercial. O faturamento médio das unidades já se aproxima ao das grandes redes corporativas e supera o do canal independente tradicional.

Também houve mudança relevante no mix de produtos, com maior participação de dermocosméticos e categorias premium, elevando o ticket médio. A marca própria ganhou espaço como alavanca de margem e fidelização. “Marca própria é sinal de maturidade. Não é só vender mais, é vender melhor”, afirma Vieira.

Participação e desempenho de mercado

Os indicadores reforçam a expansão do grupo frente ao setor como um todo. A Farmarcas responde por 1,8% do total de lojas do mercado farmacêutico brasileiro e por 4,2% do faturamento. No último ano, cresceu 16,4% em receita, acima da média nacional de 10,9%. Entre 2021 e 2025, enquanto o varejo farmacêutico avançou 59,2%, o grupo associativista cresceu 114,8%.

Os números indicam que o modelo associativista profissionalizado tem conseguido ganhar escala e competitividade, superando de forma consistente o desempenho médio do setor.

Associativismo como estratégia de escala

A Farmarcas opera com um modelo que combina autonomia do empresário local com suporte centralizado em gestão, dados, marketing e processos. Para a direção, o marco de R$ 10 bilhões demonstra que farmácias independentes podem competir com grandes redes nacionalizadas sem recorrer a fusões ou capital aberto.

“Uma empresa de 13 anos faturando R$ 10 bilhões manda um recado claro ao mercado. Não é acaso nem modismo. É planejamento, gestão e o poder do associativismo profissional”, conclui Tamascia.

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