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Exame: Por que dois suíços vieram ao Brasil criar a Sallve dos dentes?

Da redação
13 de dezembro de 2025
A Oiwhite aposta em embalagens coloridas e comunicação jovem para transformar fitas clareadoras e pasta dental em itens desejados pelos consumidores

Nos últimos anos, marcas como Sallve e Creamy apostaram em um design colorido e jovem para transformar o setor de higiene facial. As prateleiras das farmácias, antes tomadas por cores neutras e uma sensação de medicina, e não autocuidado, agora exibem rosa-choque, roxo e verde neon.

Dois suíços se mudaram para o Brasil com a ambição de fazer o mesmo, só que para a higiene bucal . Luca Ernst e David Wiprächtiger abriram a Oiwhite em 2023, e querem ser a Sallve do setor odontológico .

Iniciando pelas fitas clareadoras e cremes dentais, a ideia é oferecer produtos modernos, coloridos e acessíveis para uma categoria até então dominada por gigantes.

A startup, que começou com um investimento de cerca de R$ 100 mil dos donos, recebeu recentemente um investimento de R$ 6,7 milhões. A primeira etapa do negócio foi uma linha de fitas clareadoras, vendidas majoritariamente no digital, com destaque para a TikTok Shop que, de maio para cá, passou a representar 50% do faturamento da empresa.

Agora, em 2026, se prepara para inaugurar uma fábrica na Barra Funda, em São Paulo, para expandir a presença no varejo físico com cremes dentais com sabores amados pelos brasileiros, como manga, coco e até doce de leite .

Por que o Brasil?

Luca e David conheceram a Suíça, mas suas trajetórias foram moldadas por experiências bastante diferentes. Luca trabalhou no mercado financeiro, onde conheceu o outro fundador, mas cresceu em uma família de dentistas . O irmão, posteriormente, ajudaria a desenvolver as primeiras fórmulas dos produtos da Oiwhite .

“Sempre fui fascinado pela área, mas nunca imaginei que seguiria esse caminho de maneira tão criativa”, conta. Já David atendeu empresas do setor odontológico durante os anos de trabalho no setor financeiro, e viu uma oportunidade no Brasil – um mercado ainda pouco explorado e com grande potencial de inovação.

Luca já visitou o Brasil alguns anos antes e se apaixonou pela cultura brasileira. Por anos, sonhei em voltar a morar aqui e aprender o português. Só consegui em 2021, quando foi trabalhar em um banco de investimentos na região da Vila Olímpia, em São Paulo.

“A receptividade e a alegria dos brasileiros me encantaram. Vi um mercado em crescimento e uma chance de criar algo diferente aqui”, explica.

As ideias dos dois compensados ​​se encaixaram como uma luva : juntos, poderiam criar uma marca para deixar o setor de higiene bucal mais jovem e colorido, e, de quebra, desafiar marcas condicionais no setor como Colgate e Oral-B .

“Percebemos que o mercado estava saturado de marcas tradicionais, e a estética dos produtos era toda voltada para um público mais velho, sem inovação”, diz David.

A dupla abriu a paulista, e não suíça, Oiwhite oficialmente em 2023 e, de lá para cá, já aprendeu o português brasileiro fluente.

Sem escova, mas com pasta

A escolha das fitas clareadoras como ponto de partida para a Oiwhite foi uma decisão estratégica para entrar no mercado como um produto inovador, sem se comparar com uma concorrência já consolidada, como no segmento de escovas de dente.

O custo no site oficial da marca é de R$ 159,90 por um pacote com 14 fitas. Em sites como Mercado Livre e Shopee, comerciantes autônomos vendem pacotes de outras marcas, desconhecidas e de fora do país, por valores entre R$ 60 a R$ 100.

Há também uma caneta clareadora da Oiwhite, com custo aproximado de R$ 90.

“A ideia era facilitar o acesso ao esclarecimento dentário e, ao mesmo tempo, descomplicar o processo”, diz David.

Agora, a Oiwhite se prepara para dar um novo passo com o lançamento da linha de cremes dentais . A empresa passa a ter uma fábrica na Barra Funda para o desenvolvimento dos produtos. Já as fitas clareadoras precisam ser importadas da Ásia.

A marca está apostando em sabores amados pelos brasileiros, como manga, coco e doce de leite, uma forma de se diferenciar ainda mais e fortalecer a identidade local.

“A inovação não é só nos ingredientes, mas na experiência que queremos proporcionar ao consumidor. Queremos que eles vejam o cuidado bucal de forma divertida e com um toque de sabor, algo que está muito alinhado com a cultura do Brasil”, diz Luca.

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Por Laura Pancini

Publicado originalmente em: encurtador.com.br/bwed

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