Diálogo com diretora penitenciária confirma que equipamento foi exposto ao calor; defesa tenta atribuir episódio a “surto”, enquanto Moraes vê intenção de fuga
Um vídeo anexado ao processo contra Jair Bolsonaro mostra a tornozeleira eletrônica do ex-presidente danificada e com marcas de queimadura. Nas imagens, a diretora-adjunta da Secretaria de Administração Penitenciária do Distrito Federal, Rita Gaio, questiona Bolsonaro sobre o estado do equipamento. Ele admite ter usado um ferro quente no aparelho.
O diálogo registrado no vídeo reforça a cena:
Diretora: “O senhor usou alguma coisa pra queimar?”
Bolsonaro: “Meti um ferro quente aqui.”
Diretora: “Ferro quente? De passar?”
Bolsonaro: “Não. Ferro de soldar.”
Diretora: “O senhor tentou puxar a pulseira?”
Bolsonaro: “Não rompi a pulseira, não.”
A diretora aponta que a pulseira está intacta, mas o “case” foi violado. Bolsonaro afirma ter feito o procedimento “no final da tarde”.
Segundo o despacho que embasou a ordem de prisão preventiva, a informação inicial repassada ao governo era de que o ex-presidente havia batido a tornozeleira na escada — versão descartada após a análise do vídeo e do dispositivo.
URGENTE: STF divulga imagens da tornozeleira eletrônica usada por Jair Bolsonaro com sinais claros de tentativa de rompimento. Nas imagens, uma diretora da Secretaria de Administração Penitenciária do DF faz vistoria no equipamento. pic.twitter.com/81HGdiAPIE
— Renato Souza (@reporterenato) November 22, 2025
Equipamento trocado durante a madrugada
Após o disparo do alarme às 0h07 deste sábado (22), a equipe de segurança de Bolsonaro foi acionada e confirmou a violação. A tornozeleira foi substituída às 1h09, segundo informações do Blog da Andréia Sadi.
A defesa deve argumentar que Bolsonaro tentou romper o equipamento durante um surto, possivelmente relacionado à privação de sono ou ao uso de medicamentos. Aliados afirmam ainda que o ex-presidente acreditava que havia um dispositivo de escuta acoplado à tornozeleira.
A estratégia busca dissociar o episódio de qualquer plano de fuga.
Moraes vê intenção de rompimento para facilitar fuga
Para o ministro Alexandre de Moraes, no entanto, a violação do equipamento “constata a intenção do condenado de romper a tornozeleira eletrônica” para viabilizar uma fuga — que, segundo ele, teria apoio da vigília convocada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em frente ao condomínio do ex-presidente
