Mesmo com queda no preço da cesta básica equilibrada, relatório do Pacto Contra a Fome mostra que alimentação nutritiva ainda é um luxo para muitas famílias brasileiras
O acesso a uma alimentação equilibrada continua sendo um desafio no Brasil, mesmo com a desaceleração da inflação. Segundo o Boletim Mensal de Monitoramento da Inflação dos Alimentos, divulgado pelo Instituto Pacto Contra a Fome, o custo da cesta básica saudável (Cesta NEBIN) teve sua sexta queda consecutiva, atingindo R$ 398 por pessoa em outubro — o menor valor desde dezembro de 2023.
Apesar do recuo, o valor ainda representa R$ 1.194 por mês para uma família de três pessoas, um peso significativo diante da renda média brasileira.
“A redução no preço dos alimentos básicos representa um alívio, mas o maior acesso à alimentação saudável ainda representa um desafio”, aponta o relatório.
Inflação nutricional
A pesquisa alerta para uma “inflação nutricional”, em que alimentos mais saudáveis sofrem menos reajustes do que os ultraprocessados, mas continuam menos acessíveis. Em 12 meses, os alimentos in natura subiram 4,5%, enquanto os ultraprocessados acumulam alta de 6,8%, tendência que pressiona as famílias a optarem por produtos de menor qualidade nutricional.
Estabilidade nos preços, desigualdade no prato
O grupo Alimentos e Bebidas do IPCA registrou variação de apenas 0,01% em outubro, após quatro meses de queda. Entre os produtos que mais ajudaram a conter os preços estão arroz, leite longa vida e banana-prata, enquanto refeições fora de casa e óleo de soja puxaram as altas.
Mesmo com a estabilidade, o boletim mostra que a inflação afeta mais as famílias de baixa renda, já que os alimentos têm peso maior no orçamento doméstico. Em outubro, o INPC — índice que mede a variação de preços para famílias com renda de até cinco salários mínimos — subiu 0,03%, acima do IPCA.
Perspectiva de estabilidade
O estudo destaca ainda que a dispersão de preços vem diminuindo, o que indica maior previsibilidade para os próximos meses. Segundo Walter Belik, cofundador do Instituto Fome Zero, “a alimentação, item de maior preocupação meses atrás, está apontando queda e maior estabilidade”.
O boletim reforça, no entanto, que políticas públicas e iniciativas privadas voltadas ao Direito Humano à Alimentação Adequada são essenciais para que o custo menor se traduza em acesso real a alimentos nutritivos.
