Relatório enviado ao STF aponta indícios de coação, tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito e atuação de Eduardo nos EUA para pressionar magistrados
A Polícia Federal indiciou nesta quarta-feira (20) o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) em inquérito que apura a trama golpista e a atuação do parlamentar nos Estados Unidos.
O relatório final foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) e atribui aos dois crimes como coação no curso do processo, tentativa de obstrução de Justiça e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.
A investigação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, relator dos principais casos contra Bolsonaro e seus aliados. Segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), Eduardo articulou a aplicação de sanções do governo Donald Trump contra ministros do STF em meio às apurações sobre o golpe.
Com o indiciamento, a PGR avaliará se há elementos suficientes para oferecer denúncia formal. Jair Bolsonaro está em prisão domiciliar desde 4 de agosto, após descumprir medidas cautelares ao comparecer em manifestações. Uma das restrições impostas é justamente a proibição de contato com Eduardo.
O deputado, que vive nos Estados Unidos desde março em autoexílio com a esposa, teve contas bancárias bloqueadas e está ausente da Câmara desde julho. Caso não retorne, pode atingir em novembro o limite de faltas que permite a abertura de processo de cassação.
Uma pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira mostrou que 69% dos brasileiros avaliam que Eduardo Bolsonaro defende interesses pessoais e familiares em sua atuação diante das tarifas impostas pelos EUA a produtos brasileiros.
