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E quando um palestrante frustra as suas expectativas?

Aluizio Falcão Filho
4 de janeiro de 2026

Recentemente, fui a um evento importante. Estava lá para assistir um painel que contava com dois palestrantes internacionais. O primeiro me decepcionou muito: tom de voz errado, conteúdo raso e piadas sem graça. O segundo foi até melhor em termos de performance, mas o conteúdo foi um desfile de lugares-comuns. No meio da primeira palestra, pensei comigo: “Será que estou exagerando em não gostar dessa apresentação?”. Passei, então, a observar a plateia. Cerca de 90% dos presentes estavam olhando para o infinito, conversando em voz baixa com os vizinhos ou consultando o próprio celular (a maioria esmagadora, por sinal).

Relaxei e percebi que não era o único a ficar decepcionado com o conteúdo. Ainda temos, aqui no Brasil, uma expectativa maior ao nos depararmos com um palestrante estrangeiro. No entanto, isso não é mais garantia de uma plateia atenta.

O nível de tolerância do público está cada vez mais baixo. E o fato de termos à mão um smartphone para nos distrair é algo que deveria elevar a régua dos curadores que montam um lineup de speakers (ôpa, exagerei no uso de anglicismos nessa frase). O problema é que muitas vezes o palestrante é excelente em termos de conteúdo, mas fala mal; ou então é um showman, mas não tem profundidade ou relevância naquilo que apresenta.

Quando estou ancorando eventos, tenho uma visão privilegiada da plateia. E posso ver, em tempo real, se o painelista está agradando ou não. Por isso, arrisco a dizer: talvez o formato tradicional de palestra esteja com os dias contados. Aquele esquema slides-microfone-perguntas condensado em uma hora precisa ser repensado.

Sempre dizemos que o sistema educacional ficou ultrapassado em plena era digital – e que nossas crianças acham chato ficar ouvindo uma aula em um formato que foi usado para educar seus avós. Isso, contudo, vale também para os adultos.

É óbvio que isso não se aplica a todos os palestrantes. Há pessoas simplesmente brilhantes no meio dos eventos corporativos, tanto na forma como no conteúdo.

É por isso que tento sempre imprimir mais agilidade aos eventos de MONEY REPORT, restringindo os speeches a quinze minutos no máximo e trabalhando um talk-show que esquenta os motores da plateia para uma sessão de perguntas e respostas.

Mesmo assim, esse formato merece melhorias e precisa ser evoluído. Qual será o modelo do futuro? Ainda não sei – e, se soubesse, talvez não contasse aqui neste artigo. Pelo menos, não agora. Uma coisa, porém, é certa. Com tantos avanços tecnológicos – e a introdução da Inteligência Artificial em nossas vidas –, a configuração dos eventos não pode ficar parada no tempo. Precisamos evoluir raidamente. O público agradecerá.

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