Boletim de MR sobre medicina, pesquisa, inovação, saúde mental, negócios e políticas públicas
Maconha está mais forte – e perigosa
Os níveis de THC presentes na cannabis dispararam nos últimos anos, elevando o risco de psicose — especialmente em usuários jovens e frequentes. Estudos publicados na Revista da Associação Médica Canadense revelam uma forte ligação entre psicose induzida pela cannabis e esquizofrenia, tornando a cessação precoce e o tratamento essenciais. “A cannabis dos anos 2000 não é a mesma de 2025”, disse o coautor Dr. Nicholas Fabiano, residente e pesquisador do Departamento de Psiquiatria da Universidade de Ottawa, Ottawa, Ontário. “O teor de THC aumentou cinco vezes. Isso provavelmente é um fator significativo na crescente ligação entre o uso de cannabis e a esquizofrenia”. O risco de psicose aumenta em pessoas que usam THC de alta potência (mais de 10%), em pessoas que o usam com frequência e em pessoas mais jovens e do sexo masculino. Histórico de transtornos mentais (depressão, ansiedade, entre outros) também parece aumentar o risco.
Jamaicano inventa maçaneta autodesinfetante para hospitais

Quando o estudante universitário jamaicano Rayvon Stewart inventou um modelo funcional para uma maçaneta de porta que poderia se desinfetar após cada toque, ele foi aclamado como um potencial divisor de águas para hospitais, hotéis e outros negócios, com implicações promissoras para controlar a propagação de doenças, especialmente durante pandemias. Stewart, agora com 30 anos, tinha apenas 23 anos e era estudante da Universidade de Tecnologia da Jamaica quando idealizou o modelo pioneiro de maçaneta autohigienizante ultravioleta, que ele chama de Xermosol , que, segundo ele, pode matar 99,9% dos patógenos, mas é seguro para pessoas e animais. Desde então, ele tem trabalhado para levar o produto, que se beneficia de uma proteção provisória de patente sob o Tratado de Cooperação em Matéria de Patentes, ao mercado, conquistando o Prêmio Nacional da Juventude do Primeiro-Ministro da Jamaica e o Prêmio de Inovações em Saúde da Commonwealth .
Custo do tratamento para mieloma pode cair pela metade
Um projeto pioneiro deverá produzir carfilzomibe, medicamento quimioterápico para tratar mieloma múltiplo – câncer de sangue agressivo –, por um processo 30% a 50% mais rápido e barato. O desenvolvimento de uma nova rota sintética para obtenção do fármaco é resultado de parceria entre uma empresa-filha da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e spin-off do Centro de Desenvolvimento de Materiais Funcionais (CDMF) com a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii). Cada frasco de 60 mg do carfilzomibe custa em média R$ 6,5 mil. Em três anos – tempo estimado de tratamento –, o paciente pode gastar mais de R$ 800 mil. Segundo estudo da Agência Internacional para Pesquisa em Câncer da Organização Mundial da Saúde (OMS), entre 2020 a 2024 o mieloma múltiplo foi o segundo tipo de câncer de sangue mais comum no mundo. No Brasil, 45% dos casos ocorrem em pessoas acima de 65 anos. O projeto está em fase laboratorial, com testes para escalonamento industrial, e alavancou R$ 787,5 mil em recursos da Embrapii e da spin-off. Sua conclusão está prevista para 2026.
Aprovado medicamento oral para tratar tumores cerebrais
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou esta semana o registro do medicamento Voranigo (vorasidenibe), inibidor de enzimas, disponível no formato de comprimidos de uso diário produzidos pela farmacêutica Servier e utilizados no tratamento de câncer cerebral.
Em nota, a farmacêutica informou que o medicamento é indicado para pacientes a partir dos 12 anos com tipos específicos de gliomas difusos chamados astrocitomas ou oligodendrogliomas, de baixo grau (grau 2), com mutações na enzima IDH 1 ou 2, que já foram submetidos a procedimento cirúrgico e que não tenham indicação de radioterapia ou quimioterapia imediata. Ainda de acordo com a Servier, o vorasidenibe atua bloqueando as enzimas IDH1 e IDH2 mutadas, responsáveis pela produção de substâncias que estimulam o crescimento de células tumorais.
África tem quase 50 mil casos confirmados de Mpox

Um ano após a declaração de emergência em saúde pública de importância internacional em razão de um surto na República Democrática do Congo e localidades vizinhas, a mpox já contabiliza quase 50 mil casos confirmados em pelo menos 28 países africanos.
O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, destacou que o número de mortes associadas à doença e as taxas de mortalidade provocadas pelo vírus são baixos. “Mas, para pacientes imunocomprometidos, sobretudo aqueles com HIV não controlado, o risco permanece alto”. A mpox é uma doença zoonótica viral. A transmissão para humanos pode ocorrer por meio do contato com animais silvestres infectados, pessoas infectadas pelo vírus e materiais contaminados. Os sintomas, em geral, incluem erupções cutâneas ou lesões de pele, linfonodos inchados (ínguas), febre, dores no corpo, dor de cabeça, calafrio e fraqueza.
O que MR publicou:
Novo teste do SUS detecta câncer do colo do útero
A partir de sexta-feira (15), o Ministério da Saúde passou a oferecer, via Sistema Único de Saúde (SUS), o teste de biologia molecular DNA-HPV, indicado para o rastreamento organizado do câncer de colo do útero.
A tecnologia detecta 14 genótipos do papilomavírus humano (HPV), identificando a presença do vírus no organismo antes da ocorrência de lesões ou de câncer em estágios iniciais, mesmo em mulheres assintomáticas. Além de conferir maior sensibilidade diagnóstica, o teste reduz a necessidade de exames e intervenções desnecessárias, com intervalos maiores entre as coletas quando o resultado for negativo. Outra vantagem do teste é o rastreamento equitativo e de alta performance, que permite alcançar mulheres em áreas remotas ou onde há menor oferta de serviços em saúde.
Doença de Chagas poderá ser combatida em casa

Um novo protocolo para a o controle da doença de Chagas está em testes em uma das regiões com a maior prevalência da enfermidade: o Sertão do Pajeú, em Pernambuco. A principal estratégia é a descentralização do tratamento, para que ele possa ser feito na cidade em que o paciente reside. Atualmente, é necessário deslocamento para unidades de saúde especializadas, como a Casa de Chagas, no Recife, que ainda concentra a maioria dos atendimentos no estado.
Um dos grandes desafios é o diagnóstico, já que a doença de Chagas não causa sintomas específicos logo após a infecção. A infecção costuma se tornar crônica de forma silenciosa, desenvolvendo complicações, principalmente no coração, o que provoca a morte de cerca de 4,5 mil pessoas no Brasil por ano, segundo o Ministério da Saúde. Quando a doença é descoberta mais cedo, o paciente pode ser tratado com medicamentos, evitando complicações.
Implante contraceptivo hormonal será obrigatório para planos
A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) determinou que os planos particulares terão de oferecer implante contraceptivo hormonal na cobertura obrigatória. Ele é popularmente conhecido como implanon. O procedimento também foi aprovado recentemente para uso no Sistema Único de Saúde (SUS).
De acordo com o Ministério da Saúde, a opção é considerada vantajosa em relação aos demais contraceptivos em razão da longa duração (age no organismo por até três anos) e eficácia alta. A cobertura assistencial para todas as pessoas entre 18 e 49 anos na prevenção de gravidez não desejada passará a ter cobertura obrigatória a partir do dia primeiro de setembro.
