PATROCINADORES

Automação salva hospitais de perdas bilionárias

Lorena Scavone Giron
4 de agosto de 2025
Com prejuízos crescentes causados por glosas indevidas, soluções mostram que tecnologia pode garantir eficiência financeira e melhor atendimento ao paciente

A crise financeira que atinge muitos hospitais brasileiros está intimamente ligada à forma como são conduzidos os processos internos. O fechamento manual de contas médicas, além de moroso, é altamente suscetível a erros. Esse cenário provoca prejuízos milionários e pode comprometer o atendimento à população. Em resposta a esse problema, a automação vem se consolidando como uma alternativa eficaz para recuperar receitas e garantir a sustentabilidade das instituições.

Philipe Nascimento, CTO de ERP/IN da Weega Technologies, tem acompanhado de perto essa realidade. “É justamente no setor financeiro que se encontra um dos maiores gargalos da saúde brasileira”, afirma. A partir dessa percepção, ele participou da criação do Yantra BOT, uma ferramenta de automação capaz de validar, processar e fechar contas médicas com rapidez e alta precisão.

Desde seu lançamento, em julho de 2023, o Yantra BOT já processou mais de R$ 174 milhões em contas hospitalares e ajudou a acelerar o faturamento de aproximadamente R$ 173 milhões em apenas dezessete meses. Foram mais de 412 mil contas processadas, o que representa um ganho expressivo de eficiência. “Uma conta médica que, manualmente, demandava cerca de 10 minutos para ser fechada, pode deixar de ser processada em menos de 1 minuto com o apoio da automação”, destaca Nascimento.

O problema das glosas médicas, que são os valores negados por operadoras de saúde, é um dos principais desafios enfrentados pelos hospitais. Segundo a Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp), as instituições associadas deixaram de receber R$ 5,8 bilhões em 2024 devido a glosas. Esse montante corresponde a 15,89% do faturamento previsto para o ano e representa um aumento de quatro pontos percentuais em relação a 2023. Apenas 1,96% dessas glosas foram consideradas justificáveis, o que revela a fragilidade dos processos manuais.

A automação mostra resultados concretos. Durante o Healthcare Innovation Summit 2025, foi apresentado o caso de um hospital de médio porte com 300 leitos que, ao adotar a automação no setor de faturamento, reduziu as glosas em 60% nos primeiros quatro meses. Com isso, sua receita líquida cresceu cerca de R$ 4 milhões no período. “Esse valor pode representar ganhos significativos para o setor hospitalar e para a população, ao viabilizar um atendimento mais eficiente e humanizado”, afirma o CTO da Weega.

Além da redução de falhas humanas e da agilidade nos processos, a automação proporciona uma visão estratégica sobre o faturamento hospitalar. A tecnologia identifica falhas recorrentes, como a realização de procedimentos sem autorização prévia, e evita que contas fiquem paradas por longos períodos. “Não existe cuidado com o paciente sem um hospital financeiramente saudável”, resume Nascimento.

O contexto operacional da saúde brasileira impõe desafios cada vez maiores. De acordo com o Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), os custos assistenciais cresceram 10,8% em 2023, acima da inflação acumulada no mesmo período. O Índice de Variação do Custo Médico-Hospitalar (VCMH/IESS) também registrou aumento de 12,7% nos 12 meses encerrados em setembro de 2023. Esses números mostram uma tendência clara de elevação de despesas no setor.

O movimento de digitalização na saúde é confirmado por dados do HealthTech Report 2024, elaborado pelo Distrito em parceria com a ABSS. Segundo o relatório, o mercado de healthtechs na América Latina cresceu 37,6% no ano, movimentando mais de US$ 253 milhões. Já o Global Health Care Outlook 2025, da Deloitte, aponta que hospitais que investem em automação registram até 25% mais satisfação entre os pacientes e 20% menos erros clínicos.

Hoje, a solução desenvolvida pela Weega é amplamente usada por instituições privadas. Há esforços para expandir a aplicação do Yantra BOT para outros sistemas além do Tasy, uma plataforma hospitalar que centraliza e integra toda a operação. O objetivo é levar a automação a diferentes contextos e realidades operacionais no Brasil.

“Automatizar o faturamento hospitalar é garantir que o hospital tenha fôlego financeiro para continuar cuidando de pessoas. Porque, sim, salvar contas também significa salvar vidas”, conclui Philipe Nascimento.

COMPARTILHE:

Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

PATROCINADORES

Leia também

Em breve