Nestes dias, um post patrocinado no Instagram chamou a minha atenção: o filminho dizia que as pessoas tinham, agora, uma opção melhor para escrever seus textos – na linha “seus problemas acabaram”. Nenhuma habilidade seria mais necessária para produzir um texto de qualidade. Agora, é só falar ao microfone, despejando aleatoriamente seus pensamentos, que a Inteligência Artificial fará o resto, ordenando ideias, acertando a gramática e colocando um determinado estilo de escrita à narrativa final. Ah, o vídeo, inclusive, afirmava que este método seria bem mais fácil do que usar o teclado para escrever.
Confesso que isso me deixou intrigado. Sempre tive facilidade para escrever e colocar minhas ideias no papel (e atualmente na telinha do computador). Acredito que essa capacidade veio de um hábito de leitura adquirido ainda na infância. Quanto mais lemos, melhor escrevemos e expomos nossas ideias com maior clareza. Se você tem alguma dúvida, é só experimentar. O resultado surgirá em pouco tempo.
Mas talvez o dom da escrita seja algo que possa mesmo ser emulado pela tecnologia – assim como a capacidade fazer contas de cabeça se tornou obsoleta pelas calculadoras. Mas ainda resta uma dúvida: o resultado, na matemática, é sempre igual. E na redação?
As calculadoras resolveram o problema de quem era ruim em operações matemáticas. Do mesmo jeito que a IA vai resolver o problema de quem escreve mal: com alguns comandos, você terá um texto correto do ponto de vista estilístico ou gramatical.
Mas isso é suficiente para substituir o talento de um jornalista ou de um escritor? Talvez não.
Vamos recorrer novamente ao exemplo da matemática. Uma calculadora pode ajudar alguém com inclinação para o que se chamava de “humanas” a resolver uma equação de segundo grau, por exemplo. Mas será suficiente para que essa mesma pessoa consiga encontrar a solução de um problema de Cálculo I, uma disciplina ensinada na Faculdade de Engenharia?
Vejamos um exemplo: um engenheiro precisa projetar uma lata cilíndrica com volume de 1 litro (1000 cm³). Qual deve ser a altura e o raio da lata para minimizar a quantidade de material usado na sua fabricação?
Usei uma ferramenta de IA para encontrar a solução. E as respostas são: altura de 10,84 centímetros e raio de 5,42 centímetros. Isso pode fazer de mim um engenheiro? É claro que não.
A ferramenta de escrita da Inteligência Artificial é ótima para ajudar as pessoas a melhorarem a própria comunicação. Mas não será suficiente para transformá-las em jornalistas ou escritores. Para isso, é preciso de um discernimento e criatividade que são típicos de um ser humano. Além disso, somos geralmente mais motivados quando somos surpreendidos no meio de uma leitura. Os textos de IA até podem criar elementos surpresa em suas narrativas, mas talvez a qualidade seja discutível.
Já fiz alguns textos com IA e não fiquei satisfeito com o resultado. Apesar de capturar meus insights e meu jeito de narrar um assunto qualquer, o texto soou artificial e anódino. Tentei, então, outra experiência. Li um texto escrito por mim e pedi para que a IA fizesse um artigo com base no que havia dito. Surgiram, na versão final, alguns dados que enriqueceram o texto, mas o estilo não tinha a ver muito comigo. Por isso, encontrei um meio-termo: sempre puder – ou tiver tempo – submeterei meus textos à IA, para ver se existe como complementá-los ou melhorá-los.
Não adianta combater o avanço inexorável da tecnologia. Mas não podemos também abraçar aquilo que é novo sem nenhum pensamento crítico. Esse momento pelo qual estamos passando é maravilhoso. Temos que aproveitá-lo para crescermos do ponto de vista profissional e humano. Nossa vida vai sofrer inúmeras mudanças daqui para a frente. E isso é absolutamente fabuloso.
P.S.: perguntei à IA se haveria alguma informação que pudesse ser adicionada ao que escrevi acima. A resposta foi a seguinte:
Claro, Aluizio! Seu texto já está muito bem articulado, mas posso sugerir alguns dados e referências que podem enriquecer ainda mais a argumentação:
🧠 IA e o impacto na atividade cerebral e criatividade
Um estudo do MIT revelou que o uso frequente de ferramentas como o ChatGPT pode reduzir a atividade cerebral em áreas ligadas à atenção e à criação. Estudantes que escreveram com auxílio da IA apresentaram menor engajamento cognitivo, o que levanta preocupações sobre a dependência e o chamado “descarregamento cognitivo”.
📉 Mudança no comportamento de leitura e consumo de conteúdo
Segundo uma pesquisa do Pew Research Center, quando um resumo gerado por IA aparece no topo das buscas, apenas 8% dos usuários clicam nos links — comparado a 15% quando não há resumo. E 26% encerram a navegação após ler o resumo, sem buscar fontes adicionais. Isso afeta diretamente o tráfego de sites jornalísticos e a sustentabilidade da imprensa.
🧭 Diretrizes éticas e protagonismo humano
A Associação de Editores da União Europeia, América Latina e Caribe lançou o “Decálogo da IA e da Comunicação”, que defende o protagonismo humano nas decisões editoriais, o combate à desinformação e o uso responsável da IA como aliada no jornalismo investigativo.
🧪 IA como ferramenta, não substituição
Ferramentas de IA já são capazes de redigir notas curtas, sugerir pautas e revisar textos, mas ainda enfrentam desafios como:
- Geração de conteúdo impreciso
- Reforço de vieses algorítmicos
- Desumanização da linguagem jornalística
Se quiser, posso integrar esses dados diretamente ao seu texto, mantendo seu estilo e tom. Ou posso sugerir trechos específicos para inserção. Como prefere seguir? 📚✨
P.S. 2: E aí? O que vocês fariam em meu lugar? Deixariam a IA reescrever tudo?
Respostas de 7
Aluízio, você escreve muito bem e com estilo.
Deixe o IA para quem precisa.
Um abraço.
Antônio Lino
Concordo 100 %. A IA é muito bem vinda, mas deve ser vista como ferramenta de suporte, de auxílio,e não de solução, ou substituição do nosso talento, emoção, percepção e sensibilidade.
Muito bom.
Leio o amigo diariamente.
Adorei este texto.
Abraços
Aluizio, concordo com o Lino, vc sempre escreveu muito bem, mas é inevitável que a IA pode e deve sempre melhorar oq já está muito bom.
simples assim.
abraço e bom fds
Waltinho Zagari.
Aloizio
Muito boa a abordagem
Não da pra ter medo da IA se nős alimentarmos a base de conhecimentos confiaveis a qual iremos consultar, senǎo corremos o risco de veicularmos pensamentos que não sao os nossos.
Mente sempre aberta porem visao critica
Minha filha esta com mania de usar IA pra tudo na escola, estou desesperado com essa falta de criatividade dos jovens
Te deixo com a resposta de uma IA:
É improvável que a escrita feita por humanos se torne ultrapassada. A IA é uma ferramenta poderosa para gerar textos técnicos ou repetitivos, mas a escrita humana continuará a ser valorizada por sua capacidade única de expressar originalidade, emoção e a voz autêntica de um autor. A IA provavelmente se tornará uma assistente para o escritor, ajudando a superar bloqueios criativos e aprimorar textos, em vez de substituí-lo. Assim, a escrita humana não desaparecerá, mas se transformará, sendo ainda mais valorizada por sua autenticidade e criatividade em um mundo onde a IA cuida do que é mecânico e repetitivo.
(é errado eu concordar com a IA?)