Os EUA aliviaram controles sobre a exportação de tecnologia para a China, buscando fortalecer o acordo comercial e viabilizar encontro entre Trump e Xi Jinping em 2025
Os Estados Unidos suspenderam restrições à exportação de produtos tecnológicos para a China, conforme reportagem do Financial Times (FT). A medida visa fortalecer um acordo comercial entre as duas potências e apoiar esforços do presidente Donald Trump para garantir um encontro com o presidente Xi Jinping ainda em 2025.
O Departamento de Comércio dos EUA, responsável pelos controles de exportação, foi instruído a evitar medidas rígidas contra o país asiático nos últimos meses. Durante o mandato, Trump havia imposto limitações, incluindo bloqueios à venda do chip H20 da Nvidia para a China. No entanto, após conversas com o CEO da Nvidia, Jensen Huang, Trump recuou, permitindo a retomada das vendas.
Extensão da trégua tarifária por 90 dias
China e EUA concordaram em estender a trégua tarifária por mais 90 dias, segundo o jornal chinês South China Morning Post. A decisão foi confirmada antes da terceira rodada de negociações, marcada para ocorrer em Estocolmo, na Suécia.
As duas nações se comprometeram a não aplicar novas tarifas nem intensificar a guerra comercial por outros meios. A delegação chinesa planeja pressionar a equipe comercial americana sobre tarifas relacionadas ao fentanil, que Trump taxou em 20% em março.
Fontes indicam que Pequim pode aceitar uma tarifa básica de 10% sobre todas as importações se as taxas adicionais forem suspensas.
Trump sinaliza proximidade de acordo
Ao chegar à reunião com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, Trump declarou que EUA e China estão “muito perto de um acordo” comercial, afirmando:
“Realmente fizemos um acordo com a China, mas vamos ver como isso vai acontecer”.
Histórico do acordo tarifário inicial
Em 12 de maio, EUA e China reduziram temporariamente as tarifas recíprocas por 90 dias:
- As tarifas americanas sobre produtos chineses caíram de 145% para 30%.
- As tarifas chinesas sobre produtos americanos caíram de 125% para 10%.
Entretanto, semanas depois, Trump acusou a China de violar o acordo via publicação em sua rede Truth Social, agravando a tensão.
Resposta da China e pedido de diálogo
A China respondeu à acusação de Trump pedindo que os EUA terminem “restrições discriminatórias” e mantenham o consenso firmado em negociações de alto nível em Genebra. O porta-voz da embaixada chinesa em Washington ressaltou que as duas partes têm mantido diálogo frequente para resolver suas preocupações econômicas e comerciais.
Contexto da guerra tarifária
A guerra tarifária começou após Trump anunciar, em abril, altas tarifas sobre importações chinesas, que chegaram a 145% somando taxas.
Em retaliação, a China impôs tarifas de até 125% sobre produtos americanos. Houve escalada e troca de ameaças, com Trump elevando as taxas ainda mais e anunciando uma pausa no “tarifaço” para todos os países, exceto China.
Controvérsias internas e críticas
Embora tenha havido uma trégua, especialistas em segurança — entre eles o ex-vice-conselheiro de segurança nacional Matt Pottinger — expressaram preocupação com a suspensão das restrições tecnológicas, ressaltando os riscos que isso representa para a vantagem econômica e militar dos Estados Unidos, especialmente no campo da inteligência artificial.
Além disso, mesmo com os avanços recentes e o otimismo oficial, analistas destacam que essa aparente “reaproximação” entre EUA e China não garante estabilidade duradoura. A relação entre as duas potências continua marcada por desconfianças profundas, rivalidades estratégicas e econômicas, e o cenário pode se inverter rapidamente, trazendo novas tensões.
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