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Antivirais celulares; adoçante perigoso; genética contra tumores intestinais

Da redação
28 de julho de 2025

Boletim de MR sobre medicina, pesquisa, inovação, saúde mental, negócios e políticas públicas

Estresse celular pode ativar respostas contra herpes, VSR e zika 

Uma equipe de pesquisadores do Massachusetts Institute of Technology (MIT), das universidades de Princeton, de Santa Bárbara (UCSB), do fundo Illumina e da biotech Integrated Biosciences, nos Estados Unidos, identificaram compostos moleculares capazes de combater infecções virais ativando defesas celulares por via integrada. Um trabalho que pode render até um Nobel de Medicina. Eles descobriram que quando estressadas por estímulos luminosos, células humanas alteradas geneticamente podem agir como antivirais capazes de enfrentar herpes, zika e vírus sincicial respiratório (VSR).

Uma nova técnica de bioengenharia permitiu inserir proteínas sensíveis à luz azul no genoma de uma célula. Após análises de quase 400 mil compostos químicos disponíveis comercialmente, foram escolhidos três produtos promissores. Um deles reduziu a carga viral e aliviou os sintomas em camundongos infectados com herpes.

A resposta por via integrada é desencadeada pelo RNA fita dupla de um vírus. Quando detectado, a célula impede a replicação. “Essa capacidade de modular a resposta ao estresse da célula hospedeira poderia nos dar uma nova classe de antivirais de amplo espectro”, afirma Felix Wong, pós-doutorado do MIT, diretor executivo da Integrated Biosciences e principal autor do trabalho.

Quando aplicados sobre células não infectadas, os compostos não tiveram efeito. Os pesquisadores agora planejam avaliar se há potencial para eliminar outras infecções virais e até bacterianas. O trabalho foi financiado pela Agência de Redução de Ameaças de Defesa, pela Fundação Nacional de Ciências, pelo Escritório de Pesquisa do Exército dos EUA e pela Integrated Biosciences.

Recomendado para obesos e diabéticos, adoçante pode causar derrame

Substituto do açúcar amplamente utilizado em produtos com baixo teor de carboidratos e sem açúcar, o eritritol pode não ser tão inofensivo. Uma nova pesquisa da Universidade do Colorado revelou que mesmo pequenas quantidades do adoçante podem danificar vasos sanguíneos do cérebro, promovendo constrição, coagulação e inflamação. Homens e mulheres com níveis circulantes mais altos têm probabilidade maior de sofrer um ataque cardíaco ou derrame. O estudo foi publicado no Journal of Applied Physiology.

“Nosso estudo reforça as evidências que sugerem que adoçantes não nutritivos, que geralmente são considerados seguros, podem não estar isentos de consequências”, disse o autor sênior Christopher DeSouza, professor de fisiologia e diretor do Laboratório de Biologia Vascular Integrativa.

Aprovado em 2001 pela Food and Drug Administration (a agência de saúde dos EUA), o eritritol é um álcool de açúcar com quase zero calorias, cerca de 80% mais doce e de impacto insignificante nos níveis de insulina, daí seu sucesso entre quem almeja perder peso e controlar diabetes. O estudo envolveu 4 mil pessoas nos EUA e na Europa.

Tarifaço atinge indústria de dispositivos médicos

Em 2024, o Brasil exportou US$ 1,17 bilhão em dispositivos médicos, registrando um crescimento de 24,6% em relação ao ano anterior e alcançando mais de 190 países. No primeiro semestre, o crescimento foi de 10% sobre o mesmo período de 2024. Os EUA foram o principal destino, com US$ 276,88 milhões em compras – um aumento de 27,22% sobre 2023, representando 23,58% de todo o volume exportado, informa a Associação Brasileira da Indústria de Dispositivos Médicos (Abimo).

No âmbito do Brazilian Health Devices (BHD), projeto setorial em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), o desempenho foi ainda mais notável: crescimento de 36,62%, com exportações que totalizaram US$ 19,15 milhões no ano passado. Por isso, essa indústria será seriamente afetada se tarifaço de 50% sobre os produtos provenientes do Brasil for mantido dom jeito que está. O risco é de perder espaço diante da competitividade de produtos indianos e chineses.

O que MR publicou

Edição genética derruba células cancerosas no intestino

Pesquisadores mostraram na Frontiers in Endocrinology que a tecnologia de edição genética CRISPR/Cas9 inativou uma linhagem de células de um paciente com câncer colorretal. Foi percebido que um gene (SDR42E1) vinculado à deficiência na absorção de vitamina D poderia ser essencial à sobrevivência das células cancerígenas. Após a introdução, a viabilidade destes tecidos despencou 53%, funcionando como um interruptor molecular.

A descoberta abre espaço para aplicações na medicina de precisão, já que a inibição do gene pode matar seletivamente células cancerígenas, deixando as sadias ilesas. “Como o SDR42E1 está envolvido no metabolismo da vitamina D, também podemos atacá-lo em qualquer uma das muitas doenças em que desempenha um papel regulador”, diz Georges Nemer, reitor associado de pesquisa da Faculdade de Saúde e Ciências da Vida da Universidade Hamad Bin Khalifa, no Qatar.

Outra aplicação seria potencializar os efeitos benéficos do calcitriol, hormônio indispensável à absorção intestinal de fosfato e cálcio para os ossos, crescimento celular e funcionamento de músculos, células nervosas e sistema imunológico.

Uma em cada 23 adolescentes torna-se mãe a cada ano

Um estudo sobre maternidade na adolescência no Brasil feito por pesquisadores do Centro Internacional de Equidade em Saúde da Universidade Federal de Pelotas (ICEH/UFPel) revelou que uma em cada 23 adolescentes entre 15 e 19 anos torna-se mãe a cada ano. Entre 2020 e 2022, mais de 1 milhão de jovens nessa nessa faixa etária tiveram filhos. Entre meninas de 10 a 14 anos, o número passou de 49 mil. De acordo com a legislação, nessa faixa etária, qualquer gestação é considerada resultado de estupro de vulnerável.

Segundo a pesquisa, que calculou a taxa de fecundidade entre adolescentes para os mais de 5,5 mil municípios brasileiros, um em cada cinco municípios tem taxas comparáveis às dos países mais pobres do mundo. Os dados indicam que a taxa nacional de fecundidade na adolescência é de 43,6 nascimentos por mil adolescentes. O número é quase o dobro do observado entre países de renda média alta (24 por mil), como o Brasil, e muito superior às dos países parceiros no Brics, como Rússia, Índia e China, grupo onde a taxa máxima não ultrapassa 16,3 por mil.

O estudo mostra que a Região Sul registra taxa de 35 por mil e que, no Norte, a taxa mais do que dobra, atingindo 77,1 por mil. A disparidade se reflete na classificação dos municípios: enquanto 76% das cidades do Norte se enquadram na faixa de fecundidade de países de baixa renda, no Sudeste, a proporção é de apenas 5,1%, no Sul, de 9,4%, no Nordeste, de 30,5%, e no Centro-Oeste, de 32,7%. Segundo os dados, a privação socioeconômica é o fator mais associado às taxas elevadas.

Plataformas proibidas de vender e anunciar cigarros eletrônicos

A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), do Ministério da Justiça e Segurança Pública determinou a remoção de anúncios de cigarros eletrônicos nas plataformas Carrefour e Enjoei. Caso a decisão não seja cumprida, está sujeito à multa diária de R$ 50 mil.

As empresas também devem apresentar em até cinco dias provas da retirada e indicar mecanismos de monitoramento e controle para impedir a veiculação de anúncios de produtos que descumprem as normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Pesquisa brasileira detecta plástico em placentas e cordões umbilicais

Uma pesquisa realizada em Maceió (AL) encontrou microplásticos em placentas e cordões umbilicais de bebês nascidos na capital alagoana. Este é o primeiro estudo do tipo realizado na América Latina e o segundo no mundo que conseguiu comprovar a presença dessas partículas em cordões.

A equipe analisou amostras de dez gestantes do Hospital Universitário Professor Alberto Antunes e do Hospital da Mulher Dra. Nise da Silveira, em Maceió. Elas foram submetidas à técnica de espectroscopia Micro-Raman, capaz de identificar a composição química de moléculas com grande precisão.

As amostras de placenta apresentaram 110 partículas de microplásticos, e 119 foram encontradas nos cordões umbilicais. Os compostos mais presentes foram o polietileno, usado na fabricação de embalagens plásticas descartáveis e a poliamida, que faz parte da composição de tecidos sintéticos.

Estudo identifica elo entre Alzheimer e epilepsia

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) identificaram que a resistência à insulina pode influenciar no alzheimer e epilepsia por provocar danos neuronais e favorecer a neuroinflamação e degeneração neuronal. O estudo reforça a tesa de que quem possui uma das doenças tem maior risco de contrair a outra.

Embora pacientes diabéticos tenham um risco maior de contrair a doença, a resistência à insulina pode acontecer mesmo sem diabetes. Para chegar ao resultado, os pesquisadores injetaram estreptozotocina — substância usada para induzir Alzheimer experimentalmente — em roedores e identificaram que estes animais passaram a apresentar características epilépticas, como crises convulsivas.




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