Em apenas sete dias saques superam R$ 4 bilhões, revertendo o otimismo de meses anteriores com a bolsa brasileira
A lua de mel dos investidores estrangeiros com o Brasil chegou ao fim de forma abrupta. Em apenas sete sessões consecutivas, a bolsa de valores brasileira registrou uma retirada de R$ 4,1 bilhões por parte desses aplicadores. A virada começou em 8 de julho, véspera do anúncio de Donald Trump sobre a nova tarifa de 50% imposta a todas as importações vindas do Brasil. Desde então, o movimento de fuga se intensificou e reverteu o saldo positivo que o mês ainda sustentava no início.
Somente no dia 16 de julho, data em que o Ibovespa fechou em alta de 0,19%, os estrangeiros retiraram R$ 662,1 milhões. O impacto não é pequeno, considerando que em maio os aportes externos haviam somado R$ 10,5 bilhões, o melhor resultado mensal desde 2019. Agora, o acumulado de julho já aponta um déficit de R$ 4,1 bilhões, enfraquecendo a posição do investidor internacional no mercado brasileiro.
Enquanto isso, os investidores institucionais nacionais aportaram R$ 632,7 milhões no mesmo dia, embora ainda acumulem um déficit de R$ 1 bilhão no mês e de R$ 31 bilhões no ano. Já os investidores individuais vêm sustentando a bolsa com entradas menores, mas consistentes. No dia 16, aportaram R$ 50,6 milhões, elevando o superávit mensal para R$ 1,2 bilhão e o saldo de 2025 para R$ 7,6 bilhões.
O cenário internacional também influencia o humor do mercado. Antes mesmo da abertura das bolsas americanas, os índices futuros do Dow Jones, Nasdaq e S&P 500 registraram quedas de até 5%, refletindo o clima de tensão global. As decisões unilaterais de Trump geraram insegurança e colocaram o Brasil novamente em posição de vulnerabilidade frente aos movimentos bruscos do comércio exterior.
A expectativa agora é sobre a resposta do governo brasileiro e a capacidade do mercado interno de absorver parte da pressão, mantendo o equilíbrio diante da maior saída de capital estrangeiro desde o início do ano.
