Presidente aposta em diálogo e união nacional para tentar reverter decisão de Trump; governo descarta retaliação imediata
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu criar um comitê consultivo com empresários para discutir alternativas à crise gerada pelo anúncio do governo dos Estados Unidos de impor tarifas de 50% sobre produtos brasileiros. A medida foi definida na noite deste domingo (14) durante reunião no Palácio da Alvorada com ministros da área econômica e política, além do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.
A criação do grupo busca sinalizar que a resposta brasileira será articulada, técnica e ampla, envolvendo representantes do setor produtivo e do governo. Segundo participantes do encontro, Lula destacou a importância do diálogo como principal caminho para tentar reverter a decisão do presidente americano Donald Trump, considerada no Brasil como politicamente motivada.
A expectativa do Palácio do Planalto é que o bom histórico comercial entre Brasil e Estados Unidos possa pesar a favor nas negociações. O governo brasileiro, segundo fontes, não pretende adotar retaliações imediatas e pretende seguir com cautela, recorrendo à chamada Lei da Reciprocidade apenas se os canais diplomáticos se esgotarem.
Ao envolver empresários diretamente na construção de uma resposta, Lula tenta transformar a crise em uma agenda nacional e reforça o discurso de união em defesa da soberania. O presidente tem reiterado que o tarifaço não é uma questão de governo, mas de país.
Estiveram presentes na reunião o vice-presidente e ministro da Indústria, Geraldo Alckmin; o ministro da Fazenda, Fernando Haddad; o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro; a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann; o ministro da Secretaria de Comunicação, Sidônio Palmeira; a secretária-geral do Itamaraty, Maria Laura da Rocha; e a secretária-executiva da Casa Civil, Miriam Belchior.
A forte mobilização do núcleo estratégico do governo indica a preocupação com os possíveis impactos econômicos e políticos da medida americana. Desde o anúncio de Trump, setores como o agro, a indústria aeronáutica e a de alimentos têm se manifestado contra as tarifas, alertando para perdas bilionárias e risco à competitividade brasileira no exterior.
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